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Um empresário cheio de talentos

mon MARCUS MONTENEGRO, 42 anos, sócio da Montenegro e Raman – Produção, Imagem e Marketing (há 18 anos no mercado) conversa com nossa equipe sobre sua trajetória e sobre as estratégias empresariais desenvolvidas a partir de muita sensibilidade e experiência no setor.

Como você se tornou um empresário da cultura?
Aos 18 anos de idade, eu cursava publicidade, queria ser publicitário e fui trabalhar numa produtora de vídeo, a Multivídeo, onde fiquei e durante oito meses e me descobri um produtor. Ainda não um produtor cultural, descobri a função. Dali fui pra TV Globo, onde fui produtor executivo do programa Pequenas empresas, grandes negócios por três anos. Assim, viajei o Brasil inteiro, descobri que na verdade eu era um produtor e um homem de negócios. Eu  aprendi toda a logística de como abrir uma empresa (fiz um curso com o Sebrae, tinha acesso constante a eles). Foi uma grande escola!
E lá eu descobri que o que eu queria fazer era produção cultural. Comecei produzindo o espetáculo infantil “Os Desenhos Animados” e um show de humor da Fafy Siqueira. Ainda em paralelo a minha carreira de TV.
Quando terminou meu contrato, abri a minha empresa e logo em seguida o Wolf Maia me chamou pra ser sócio dele no “Blue Jeans”, em que dirigi a produção.

No Teatro Galeria?
Montei no Teatro Galeria, sem patrocínio algum, totalmente na permuta.  Não tinha nem lei de incentivo nessa época. Então, produzi o “Blue Jeans” com, sei lá, acho que 80 empresas apoiando e ganhei o prêmio de melhor diretor de produção. Produzi (com o Wolf também) o “Ali Baba e os 40 ladrões”, que era um musical infantil enorme e ganhei o prêmio Coca-Cola de melhor produção. Aí conheci o Raman, saí da Companhia do Wolf e montei a Montenegro e Raman, há dezoito anos.

Para o Wolf também foi um marco...
Foi um marco. Porque o Wolf dirigiu o “Blue Jeans” quando não era musical, 15 anos antes, produzido pela Rosa Maria Murtinho e o Mauro Mendonça (hoje em dia, meus contratados). O Wolf já era conhecido como diretor de novelas e também tinha feito alguns musicais. Mas o “Blue Jeans” foi o primeiro musical dele que explodiu.
Eu gosto de citar que o “Blue Jeans” foi o retrato do preconceito empresário brasileiro. Porque tinha tudo a ver ser patrocinado por uma empresa de jeans, concorda? Visitei umas 80 empresas de calça jeans e todos adoravam, até chegar à temática principal, que tratava da vida dos garotos de programa. Então todos abortavam: “Não, não queremos linkar nossa marca a esse tipo de tema”... Modéstia à parte, foi um espetáculo muito bonito e bem produzido: tinha banhos de água, não sei quantos andares de cenário...

Era inclusive em um teatro escondido, né?
O Galeria tinha tido alguns sucessos com a turma do Oswaldo Montenegro. Depois ficou parado e ressuscitou com a gente. O Paulo Autran chegou a fazer lá um sucesso com a Nathália Timberg, mas nunca mais se reergueu. Uma pena, um teatro maravilhoso, com 450 lugares! Perto daquele público do Flamengo e da Glória, que é muito carente de um teatro de bairro de verdade.
Acho a cultura de teatro de bairro muito válida para esse povo que não se mexe. Porque realmente tem uma faixa da sociedade que não se mexe, ou por falta de interesse, ou por falta de dinheiro, ou por dificuldade mesmo. São Paulo nesse ponto funciona melhor, porque tem muito teatro de bairro.  Você faz em um teatro temporada de um mês, ai vai pra outro, faz mais um mês... coisa que está acabando no Rio de Janeiro.

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