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LUCRO NA CULTURA - Ter ou não ter?

O produtor não é só um captador de recursos, ele é um mobilizador de recursos, não apenas financeiros, mas tecnológicos e humanos. Esse é o principio básico pra gente começar a pensar no desenvolvimento da área da cultura.

O projeto é só a forma como você se coloca no mercado em espaço, tempo e recurso.

A gente tem que pensar lucro, sim, e também no mundo aí fora. Há várias fontes de recurso para captar e executar os projetos. É difícil pensar em lucro se a gente pensa que o projeto deve ser beneficiado somente por meio do benefício fiscal. O Estado impulsiona a área por meio de benefícios fiscais, mas é só uma das fontes de recursos.


Profissionalizar é essencial na área da cultura. A área precisa parar de achar um absurdo ter que comprar nota fiscal; tem que entender o sistema tributário para poder contestá-lo. Uma das coisas mais importantes é tentar comunicar, trazer as informações para as pessoas.

A gente tem que criar as pautas de discussões e ser mais atuante, com consciência profissional.


A nota fiscal eletrônica vai ser implementada e vai ter um impacto importante no nosso mercado.


Existe uma linha de crédito voltada pra produção cultural no BB. Ela é muito pouco usada por esses vários problemas de qualificação de produtor para responder as exigências do banco. Que é exatamente como você emprestar pro comércio, para a indústria. O cara tem que ter um projeto, um plano de negócio. 


A vulnerabilidade do setor: hoje as pessoas vão ao teatro, amanha não vão mais; hoje as pessoas estão comprando, amanha não mais. Somos um setor muito sensível às variáveis econômicas. Somos os primeiros a serem cortados dos orçamentos e aí entra o fator risco. O produtor que está trabalhando tem riscos grandes pra caramba e tem responsabilidades econômicas.


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Mais que qualificação, falta acesso de quem faz cultura às informações e ferramentas que o mercado exige. No futuro, o profissionalismo exigirá que o financiamento seja reembolsado.

Quem financia não gosta de bancar “aventuras, ou sonhos mirabolantes”. Financia negócios, projetos lucrativos que dêem remuneração.


O BNDES, por exemplo, tem financiamentos para alguns negócios de empresas que precisam crescer, tem uma linha de financiamento ligada a tecnologia, ao setor do audiovisual e outros que estão sendo apurados.

O Banco do Brasil também tem financiamento. As leis de incentivo a cultura – tanto a lei Rouanet, quanto os Estados – estão montando agências de financiamento. Está se percebendo que cultura pode ser um bom negócio.


A lei de incentivo à cultura condicionou o empresário e talvez tenha inibido seu foco empreendedor.


No Rio de Janeiro, 85% dos produtores que concorrem a editais oficiais são empresas. Estamos falando de um mercado que está empresariado.

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