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LUCRO NA CULTURA - Ter ou não ter?

Esse foi o tema do Colóquio Fazer e Vender Cultura, realizado no dia 24 de agosto de 2010, no Oi Futuro – Flamengo. A conversa foi animada, embora sem grandes oposições. Parece que não resta muita dúvida – no setor – de que é fundamental gerar excedentes com a produção cultural. Como e para quê é que são elas... Aqui vão algumas pílulas do Colóquio, sem identificação dos autores, pra estimular a reflexão dos nossos leitores.

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O capitalismo foi construído sobre a certeza de que o interesse pelo lucro pode mover o mundo. No setor cultural há esta realidade bastante anacrônica: a parte que não é considerada cultura (mas entretenimento, lazer e tal) lucra barbaridade e todo mundo acha natural, como o Rock in Rio, as emissoras de TV; enquanto o pedaço tido como “cultura” vive numa situação bem diferente. Nessa parte o 3º setor é muito presente e, para ele, não existe a perspectiva de lucro. Afinal, as instituições do Terceiro Setor não têm fins lucrativos.  

Existe, no entanto, uma distinção necessária entre lucro e superávit. Onde não sobra dinheiro, não dá para investir - o que é um problema tanto da cultura, quanto de todo o Terceiro Setor. Quase todo mundo vive de projetos, sem uma infra-estrutura fixa.

O trabalho é feito ali, no limite. Quando acaba um convênio, um contrato de gestão com o governo, a instituição pagou seus custos, mas sobrou muito pouco. Então ela tem que mandar o pessoal embora, para depois, quando arranjar outro contrato, outro projeto reiniciar do zero.

Esses espasmos mostram como é importante criar capacidade de re-investimento, de montar uma estrutura com possibilidade de permanência.
Como obter estabilidade e continuidade nas organizações que produzem cultura?


Uma coisa é ter lucro, outra é o destino que dado a esse lucro.

Se você afasta (por preconceito ou juízo) a possibilidade do segmento cultural gerar riqueza, do ponto de vista financeiro, você está dizendo que esse segmento vai sobreviver, mas não vai viver. É uma estratégia de guerrilha que nós conhecemos bem. A gente está praticamente o tempo todo entrincheirado. Vai articulando, tomando tiro de um lado, tomando tiro de outro, vai sobrevivendo.
O lucro é o que vai além do mínimo necessário para o projeto acontecer. Então, num planejamento de base, é preciso garantir estruturalmente o financiamento daquela atividade. Assim, por exemplo, parte-se do necessário para a sobrevivência linear de 12 meses e divide-se pelo orçamento dos projetos daquele ano fiscal.

Uma representação única que falasse em nome de toda produção cultural poderia discutir a questão da criação de tributos. O cidadão comum não percebe a importância da cultura. A gente não tem as associações, as orquestras, os museus. A gente vem de um histórico em que as pessoas mais velhas produziam vendendo carro e apartamento para a montagem do espetáculo e recuperavam o dinheiro na bilheteria.  Essa é uma realidade de quanto tempo atrás? Não são historias da carochinha, já existia um acultura sustentável nesse país. Produtores que bancaram seus próprios projetos a vida inteira e a sociedade ia lá comprar o ingresso.
A gente não sabe construir planilha. Não prevê coisas básicas e 11% quebram um pequeno empresário de qualquer setor.
Assim, de um lado é uma sociedade que não percebe cultura, e é um mercado que se fragmentou e que precisa de mais qualificação para a gestão.


Planejamento, mercado, qualificação, ameaça, oportunidade, isso é uma linguagem de mercado, de planejamento de negócio, de produto. O que a gente está falando é sobre a formação de preço. Para isso a gente tem que pensar no produto e planejar a venda do produto, ter um plano de negocio.

Ontem, na abertura do festival nacional e internacional de cinema infantil, o pessoal da RioFilme, da secretaria do audiovisual disse que a Secretaria de Cultura comprou um 1 milhão de ingressos e o BNDES abriu uma linha de financiamento para equipamentos de exibição. Pensei: o negócio é abrir uma sala de cinema numa cidade média! A visão é essa, de negócio e oportunidade. Não é apenas aquela ideia de que precisa ser o melhor projeto do mundo. Não somos artistas, mas estamos aqui para fazer com que os sonhos dos artistas se tornem realidade.


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