Um novo olhar sobre o Festival do Rio
Escrita em 30/10/10 por admin
Artigos e ColunasO quartel general do Festival do Rio fica na Gamboa, bairro que passa por projetos estruturais como parte do projeto “Porto Maravilha”, no Centro da Ação e da Cidadania que apresenta as festas de abertura e encerramento, apresentações a preços populares, debates e entrevistas.

O festival se estrutura por trinta salas de cinemas espalhadas por toda a cidade, 15 mostras, mais de trezentos filmes nacionais e internacionais. A edição 2010 inclui as tradicionais Première Brasil, Panorama Mundial, Expectativa, Première Latina, Midnight Movies, Mundo Gay, Limites e Fronteiras, Dox, Geração, além das recém-criadas e agora em sua segunda edição, Meio Ambiente e O Brasil do Outro, com foco, respectivamente, em filmes voltados para os temas ecológicos e sociais, e com um olhar diferente sobre o Brasil, visto pela ótica de um estrangeiro. O país homenageado é a Argentina, com uma dúzia de produções recentes, além de retrospectivas dos diretores Bruno Dumont e Amos Gitai.



A equipe de produção conta com o apoio de 1.200 pessoas contratadas para dar todo o suporte ao evento. São 100 estagiários e 200 voluntários, além de projecionistas, carpinteiros, tradutores, pintores e outros profissionais que colaboram tanto para que o filme chegue à tela, quanto para que o tapete vermelho esteja vistoso na porta do Odeon.
O público exige o melhor que o festival pode oferecer. Por isso é essencial que o produtor se antecipe a qualquer tipo de problema que pode gerar desconforto não só para as pessoas envolvidas no processo, mas para os telespectadores também.

O orçamento do festival é de 7, 3 milhões de reais. Neste ano, o maior patrocinador é a Rio Filme, que entrou com dois milhões de reais. O evento conta ainda com a Petrobras e a Oi, e como co-patrocinadores estão a Ambev e o BNDES.

Uma parte importante do Festival de cinema do Rio é a participação de convidados estrangeiros. São cerca de 300 profissionais, entre diretores, produtores, atores ou profissionais que participam do Rio Market, o seminário voltado a discussões de mercado. O acordo entre a produção e os convidados não envolve nenhum dinheiro, ou seja, eles não são pagos para vir ao Rio (recebem passagem e hospedagem). Garabtir que os convidados venham é um trabalho árduo para a produção. O convite de um profissional do cinema estrangeiro gera uma expectativa que a pessoa compareça e que cumpra três requisitos básicos: promover seu filme, conhecer a cidade e estabelecer laços para que possa voltar, ou até trabalhar aqui. Mas nem sempre isso é possível, como no caso de Quentin Tarantino, que há poucos dias da estréia do festival cancelou a sua vinda, deixando os fãs decepcionados e a produção de cabelo em pé.

O papel do produtor deste grande evento não é nada fácil. Exige muita força de vontade, suor e paciência. Alguns profissionais ficam empenhados o ano todo para que tudo corra bem. Todos os detalhes precisam ser planejados com muita antecedência para que os imprevistos, como um apagão ou um rolo de filme que veio sem ordem, possam ser contornados sem muito estresse.  Cada filme exige um tipo de negociação diferente com sua distribuidora. É necessário equacionar os filmes por seus lugares de exibição.  Uma obra que não tem distribuição no Brasil tem no mínimo quatro exibições no festival. Um longa-metragem pode ter que passar em quatro bairros da cidade carioca em uma única semana. Um bom planejamento, desde a construção de um mapa mental até a abertura dos portões do evento, é vital para a realização do evento.


Andressa Bastos Augusto de Assis Ribeiro
, é estudante do curso de Comunicação Social da PUC-Rio

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