Le spectacle!
Escrita em 29/10/10 por admin
Artigos e ColunasPoucos filmes marcaram tanto  quem está na faixa dos 20 e poucos anos quanto o Moulin Rouge.  Por isso resolvi saber o que era, de fato, o tal Moinho Vermelho.

Charles Zidler e Joseph Oller eram dois empresários com um objetivo: criar uma casa noturna capaz de atrair a elite parisiense para a marginalizada região de Montmartre. Para tanto, precisavam de uma atração sem igual. O projeto havia começado.

O terreno da antiga casa Rainha Branca, freqüentada por bêbados e ladrões, foi comprado por Zidler, que não hesitou e, para começar, contratou um elenco inteiro de dançarinas e artistas.  Como bom profissional, ele sabia: com elenco, figurino, local, mas sem identidade, não há espetáculo. É ai que começa a longa carreira do que anos depois se tornou o senhor dos cabarés. O Moulin Rouge.

Seis de outubro de 1889: o Moulin Rouge sai dos papéis e abre as portas. Um palco, platéia, música, uma grande réplica de um elefante de madeira no jardim, dançarinas do ventre, dançarinas de cancan e luzes, muitas luzes, ostentavam o conceito luxuoso da Belle Èpoque francesa e conseguiam atrair a tão desejada aristocracia para um local antes esquecido.

Nas apresentações, começam a ser mostrados alguns centímetros de pele – não chegava a um palmo inteiro - mais especificamente, entre as meias pretas e as calçolas brancas das dançarinas. O burburinho é imenso. A grande estrela do Moulin Rouge é a dançarina Louise-Joséphine Weber, que toda a Montmartre chama de "La Goulue" (A Gulosa); aos 23 anos e famosa em toda a região, Loise foi contratada por um salário mensal de 800 francos, cerca de 290 000 réis (moeda brasileira da época). O grande negócio estava deslanchando e o subúrbio de Paris nunca mais foi o mesmo.

Hoje, Le Moulin Rouge tem um grande glamour. As charmosas dançarinas que foram imortalizadas pelo pintor Toulouse Lautrec são “a cereja do bolo” de um espetáculo que envolve uma grande produção. E por “grande”, devemos pensar tanto nas apresentações, quanto no chamado “backstage”, pois são esses dois fatores que juntos formam as relações de negócios e fazem a casa noturna ser o que ela é.

Abram as cortinas! (toca o terceiro sinal) Apresento-lhes, o show do Moulin Rouge: Féerie. Composto por diversos números onde se apresentam uma trupe de 80 artistas, 60 “doriss girls” de várias nacionalidades, guiadas pela coreógrafa Miss Doris  em inúmeros ensaios. O espetáculo também conta com Mine Verges, a designer de vestuário, figurinos que somam mil trajes feitos de penas (recebidas de todos os cantos do mundo e muito bem tratadas), strass, sequins e conjuntos brilhantes desenhados por artistas italianos nas melhores confecções parisienses. Tudo isso ao som de músicas originais gravadas por 80 músicos e 60 cantores de coro.

E não para por aí. Os clientes também podem jantar em um refinado restaurante dirigido por Monsieur Henri e formado por uma equipe de 75 pessoas que trabalham “atrás dos panos”. O chefe, Laurent Tarridec, a gosto de qualquer francês, vê a noite de gala como uma oportunidade de criar novos pratos acompanhados dos mais nobres vinhos. Os diferentes menus chegam a custar 180 euros.

Dá para imaginar a dimensão da produção. Tudo é pensado nos mínimos detalhes: o teatro deve estar sempre impecável, as dançarinas e os artistas (que sempre chegam horas antes do show) muito bem ensaiados, as maquiagens perfeitas e os figurinos minuciosamente finalizados. Para que tudo isso aconteça, é necessário muito mais do que a própria equipe de artistas; do segurança ao iluminador do espetáculo, tudo deve estar alinhado para que não caiam lantejoulas, luzes não se apaguem e maquiagens não escorram no momento de abrir as cortinas.

Além dos shows, em seus diversos ambientes, a casa também oferece o espaço para a realização de outros eventos.

Hoje, passados 121 anos da sua inauguração, a casa homenageada no filme Moulin Rouge (direção de Baz Luhrmann) é uma referência em Paris. Atrai turistas de todas as partes do mundo, que, finamente trajados, enfrentam filas e pagam o ingresso (entre 80 e 180 euros) para desfrutar de suas mega produções.

E por que não lembrarmos que Charles Zidler e Joseph Oller, aqueles dois empresários, com um objetivo, conseguiram tornar o sonho de ter o subúrbio parisiense mais aristocrático, em uma realidade visada mundialmente?

Com seu moinho exposto no número 82 da Boulevard de Clichy, o Moulin Rouge e tudo o que esconde por trás das suas cortinas, é um espetáculo aplaudido por milhares de pessoas, com alto retorno financeiro. Só resta assistir, e aplaudir.

“The show must go on!”

Merci.
 

Hilana Villar
, 21 anos, é estudande de Comunicação Social da PUC-RIO

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