Chão firme  para o brilho dos artistas
Escrita em 27/10/10 por admin
Infra-EstruturaOs palcos são máquinas que abrem a porta para outra dimensão. Na caixa preta tudo pode acontecer: a fantasia, a emoção e a realidade são simultâneas. É de lá que o talento dos artistas, em sua performance inspirada, arrasta o espectador para outros mundos, outras verdades, outras vidas. Para que a mágica aconteça, a máquina precisa funcionar direito: com solidez, versatilidade e segurança. Nesse campo, os improvisos são proibidos.

Os palcos surgiram em tempos ancestrais, provavelmente na pré-história, na forma de altares rituais. Elevado por sobre a plateia, ao mesmo tempo em que facilita a visibilidade do que acontece ali, o palco estabelece uma hierarquia de importância, concentrando as atenções. E é esta relação que caracteriza os dois principais tipos de palco: o frontal (proscênio, ou palco Italiano) e a arena (que pode até ser um estádio de futebol). A estrutura espacial do espetáculo condiciona toda a sua produção.

Palco italiano

O palco frontal, onde acontecem shows, concertos, teatro e dança oferece recursos especiais na exibição, já que a "caixa preta", cenários e sua iluminação definem o que vai ser visto. O ponto de vista iluminado estrutura a narrativa e o que não é mostrado, não pode ser visto. Um contra-regra de preto, no escuro, deve passar despercebido. O trabalho dos técnicos e da produção é facilitado porque as coxias (backstage) deixam a sua movimentação livre. A visibilidade frontal permite que o palco mude. A arquitetura teatral e a cenografia construíram soluções prodigiosas nesta área para a Broadway e para as Óperas européias: palcos que giram ou se movem, permitindo substituição imediata.


Tradição e tecnologia


A ópera é uma tradição cultural tão popular na Áustria como o samba no Brasil.

O Teatro da Ópera de Viena chega a apresentar, no mesmo ambiente, cinco diferentes espetáculos na mesma semana. Para isso conta com uma estrutura tecnologicamente sofisticada (desde a reforma terminada em 1994) que permite a substituição imediata de até 8 palcos controlados por plataformas hidráulicas e eletromecânicas de elevação e deslocamento.

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Palco – Ópera de Viena

                   


Arena

As arenas, com uma iluminação geral, possibilitam diversos pontos de vista e limitam a utilização de cenários semelhantes aos utilizados nos palcos frontais. As arenas são adaptações do teatro grego Antigo; com suas arquibancadas em arco, também abrigaram os espetáculos de gladiadores.  No Coliseu romano cabiam mais de 40.000 pessoas. Os anfiteatros são espécies de arenas, ou semiarenas, ao ar livre. Seu formato é comumente oval ou circular (também podem ser lineares, como o Sambódromo). Nelas o espectador sempre vê o espetáculo de cima, cada qual com seu ponto de vista.



                   
Anfiteatros antigos (Tróia e Éfeso)na Turquia



Tendências

Reformado recentemente, o Teatro Gláucio Gil (Rio de Janeiro) reabriu para o público em junho de 2010 com uma nova proposta de palco. A proposta é dinamizar a relação entre espetáculo e plateia, acolhendo os espectadores com diversas possibilidades de montagem. Bia Junqueira, a arquiteta à frente desse projeto, comenta a importância de manter o público e os atores em um mesmo espaço: “Hoje em dia, o espetáculo fica no mesmo nível dos espectadores. É uma relação diferente da que se estabelecia antigamente, quando os atores ficavam mais altos que a plateia”. Depois da reforma, o Gláucio Gil ganhou um espaço polivalente, capaz de acolher peças em palco italiano, bifrontal, arena, ou outras possibilidades que o diretor imaginar.
Além de nivelar o palco, Bia precisou modificar o espaço da plateia. As três primeiras fileiras só viam o ator quando ele estava na boca de cena, depois a visão ficava comprometida. Agora a plateia é formada por três módulos, mais módulos laterais. Em palco italiano, a teatro tem capacidade para 110 pessoas, já em formato arena, comporta 200 espectadores: “Criamos uma proximidade com o público quando juntamos palco e plateia no mesmo espaço. Ampliamos o tablado em 5,30 metros e ainda alongamos o hall de entrada”, detalha a arquiteta.

Por trás de palcos de grandes eventos ao ar livre, Maurice Hughes é sempre encontrado se certificando de que tudo vai sair como o esperado. Responsável pela parte técnica dos shows de Madonna, Rolling Stones e Roger Waters no Brasil, ele também está envolvido na volta do Rock in Rio para a capital carioca. Montar um palco outdoor não é fácil. É preciso se preocupar com a segurança, com questões climáticas, com a visibilidade e com a acústica. Para uma superprodução, Maurice afirma que a largura da boca de cena precisa ter entre 22 a 24 metros e 16 a 14 metros de profundidade. Dependendo do local e da quantidade de público, é necessário que o tablado fique de dois a três metros de altura. Para o camarim, é montada uma tenda nos fundo do palco: “Em um espaço de 16 metros de profundidade, é possível fazer uma tenda para a preparação dos artistas de 10 x 10 metros. Com relação à qualidade da acústica, só temos problema em lugares que têm paredes, como a Apoteose, no Rio de Janeiro”, diz Hughes.


Os palcos têm normalmente quatro tipos de construção:  italiano, semi-arena, arena e elizabetano. Conheça as características de cada um deles:

Palco italiano
- é o que os espectadores assistem a apresentação só pela frente. Este palco tem uma cortina que é fechada para intervalo entre atos, final da apresentação e, às vezes, para mudança de cenário. Normalmente o espaço entre a plateia e o palco é maior que o do palco de arena.

Palco de arena
- é um espaço teatral com palco abaixo da plateia que o envolve totalmente, sentando em arquibancadas ao redor. Em geral, os teatros de arena são maiores e o público apresenta uma relação mais estreita. Os espectadores ficam próximos do palco para verem as nuanças das expressões e gestos feitos pelos atores.

Palco semi-arena
- em geral é constituído de uma plataforma que avança pela plateia. Esse tipo de palco aproxima o espectador do ator. Como o público circula parcialmente o palco de semi-arena, o cenário deve conter menos elementos.

Palco elizabetano
- Tem a característica de um palco misto. É um espaço fechado, retangular, com uma grande ampliação de proscênio (em formato retangular ou circular).

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