Carnaval, a festa que movimenta a economia
Escrita em 26/10/10 por admin
Economia da Cultura


“Que é o carnaval? Festa da carne, festa do mundo, loucura coletiva em que desaparecem o bom senso, as normas do bom proceder, os limites de vergonha e os princípios da reserva moral. Que lucra o povo com o carnaval?”, protestou o vereador Camilo Ashcar, da tribuna da Câmara de Vereadores de São Paulo, em 31 de janeiro de 1949.


Pode parecer incrível, mas ainda se faz esse tipo de pergunta em pleno século 21. O que torna o discurso ultrapassado, porém, não é o seu tom moralista, mas o desprezo ao enorme potencial econômico desta festa popular que faz circular bilhões de reais, todos os anos, no Brasil.

Símbolo do carnaval brasileiro, o tradicional desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro movimentou, em 2010, cerca de R$ 1,2 bilhão e gerou mais de duzentos mil empregos. Quem assiste ao espetáculo de quatro dias muitas vezes não supõe que a sua realização envolve desde o trabalho de soldadores no barracão das agremiações ao de executivos da indústria fonográfica, passando por bordadeiras, motoristas de ônibus e pilotos de companhias aéreas, técnicos vindos de Parintins (AM) e especialistas na fabricação de instrumentos musicais, entre muitos outros.

Apenas a produção de bordados para fantasias rendeu ao município de Barra Mansa, a cem quilômetros da capital fluminense, R$ 53,4 milhões em 2006, o equivalente a aproximadamente 4,5% do PIB local. Os números (que constam do estudo “Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval”) revelam a necessidade de encarar o carnaval não somente dos pontos de vista histórico e antropológico, mas também sob o enfoque dos negócios.

“Criticam o carnaval-negócio, dizem que está se transformando na Broadway, mas o que fazer? A Broadway não é mais a dos anos 30. O carnaval precisa se modernizar, evoluir. Hoje, trata-se de um produto cultural com vigor econômico fantástico, muito diferente do que foi nas décadas de 20, quando surgiu a primeira escola de samba, ou de 30, quando o carnaval foi oficializado. Não tem mais volta”, afirma Luiz Carlos Prestes Filho, coordenador do estudo.

Um passo nesse sentido foi dado com a inauguração da Cidade do Samba, que tirou as escolas de barracões improvisados nos quais, não raro, ocorriam incêndios e inundações. “Não dava mais para continuar no improviso”, avalia o acadêmico, que compara a estrutura a uma fábrica construída tardiamente, com o produto e sua vitrine já consolidados. Para que a festa de Momo entre de vez no modo business, muitas outras providências serão necessárias, a começar pelo envolvimento maior do setor privado, grande beneficiário do megaevento.

“É preciso melhorar a infraestrutura do espetáculo. Para isso, seria importante uma articulação com o setor privado, principalmente os setores envolvidos no desfile como o de alimentos, turismo e transportes. Eles poderiam, por meio da Firjan ou das associações comerciais, contribuir para qualificar e fortalecer o desfile criando fundos, por exemplo. Não se pode jogar tudo nas costas do poder público, que hoje, além de subvencionar as agremiações, é responsável também pela segurança, limpeza, manutenção do sambódromo e muitas outras coisas”, explica Prestes Filho.

A principal fonte de recursos para os próximos anos poderia ser a arrecadação dos direitos de propriedade intelectual, ou seja, os recursos provenientes da administração das marcas das escolas e dos direitos autorais sobre sua arte. “Esse é o futuro do desfile das escolas de samba. A Beija-Flor, por exemplo, deve ser a maior marca existente no município de Nilópolis. O potencial é enorme. Há mais de 900 eventos no mundo todo que usam a linguagem do carnaval carioca”, conta ele, que ressalta também a importância da formação de quadros preparados para cumprir dezenas de funções próprias do carnaval.

Comentários:
 
 Cadeia produtiva do carnaval de Vigia de Nazaré PA
Escrita em 15/004/15 por Guest
Era tudo o que eu precisava….uma obra desta para ampliar meus horizontes…acabei de adquirí-lo e quero muito devorá-lo. Depois volto para dizer como foi..

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