Evento elege o Colegiado Setorial de Moda do MinC
Escrita em 22/10/10 por admin
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O primeiro Seminário de Moda e Cultura, organizado pelo Ministério da Cultura, aconteceu em Salvador, de 27 a 29 de setembro de 2010


O encontro deu continuidade a II Conferência Nacional de Cultura (II CNC ), quando o MinC incorporou a moda (e mais design, arquitetura, artesanato e artes digitais) aos outros setores culturais já constituídos. O próximo passo seria formar um colegiado (um grupo de pessoas atuantes na área, eleitas pelo setor) para consolidar estratégias a serem pactuadas entre o Ministério e a sociedade civil para o setor de moda. Para isto, foi criado o primeiro Seminário de Moda e Cultura.

A divulgação do seminário começou nas Pré-Setoriais da II CNC, com inscrição aberta no site do MinC por quase dois meses. Mais de novecentas pessoas se inscreveram. O Minc organizou uma comissão, formada por pessoas do governo e da sociedade civil, para escolher 150 delegados representando as cinco regiões brasileiras. Os inscritos eram do eixo criativo (estilista, artesão, costureira, bordadeira, produtor de moda/stylist, fotógrafo, autor de livros); do eixo institucional (coordenadores de moda das universidades, e representantes de instituições e ongs) e do eixo empresarial.

Três dias intensos

O primeiro dia tratou de assuntos ligados aos temas do seminário e teve a apresentação de cases:

  • João Braga explorou o sentido das palavras cultura e moda, destacando a importância da moda na história e na cultura dos povos; Paulo Borges (InMod/Instituto de Moda e Design) apresentou os eventos SPFW e Fashion Rio, reforçando a importância da interrelação moda e cultura;
  • Robert Guimarães (Inbracultmode/Instituto Brasileiro de Cultura, Moda e Design) defendeu ações de fomento para os novos criadores e apresentou três casos de sucesso com novos talentos: a Babilônia Feira Hype (feira cultural), que lançou marcas como Farm e Espaço Fashion; o Prêmio Rio Moda Hype, que lançou Fernanda Yamamoto (hoje no SPFW) e R. Groove (Fashion Rio); e o portal de web docs (acervo digital) Roda da Moda.
  • Tetê Leal apresentou a história da Coopa-Roca, uma das mais antigas cooperativas de costureiras, com fotos de trabalhos recentes como Lacroix e os Irmãos Campaña; Beto Lago apresentou o case do Mercado Mundo Mix, seus eventos itinerantes pelo Brasil, Portugal e a abertura da loja para novos talentos, a Galeria Mundo Mix (São Paulo).

No segundo dia, os delegados escolheram cinco diretrizes para os eixos criativo, institucional e empresarial. E, no último dia, aconteceu a eleição do colegiado: sessenta inscritos, trinta escolhidos. Após a votação, as diretrizes de cada eixo foram apresentadas e, em seguida, a urna foi aberta e apurada.

Entre os eleitos , Ronaldo Fraga, do eixo criativo, foi o mais votado; Paulo Borges e Fernando Pimentel entraram pelo eixo empresarial; Robert Guimarães representará a região Sudeste; Jun Nakao e Márcia Ganem também entraram pelo eixo criativo. (2). São 15 membros titulares e 15 suplentes, que durante o biênio 2010-2011 formam o Colegiado Setorial de Moda. O Colegiado também terá a participação de cinco membros do Poder Público, nomeados pelo Ministro da Cultura.

Estratégias e prazos

O seminário discutiu idéias e visões para aprofundar as estratégias de política cultural que dinamizem o investimento público na cultura de moda. As diretrizes aprovadas farão parte de uma portaria que será publicada no Diário Oficial, tornando-se uma espécie de roteiro para as ações futuras. Tudo isso pode ser acompanhado pelo no site do MinC.

Embora a repercussão no mundo da moda tenha sido tímida, uma rede foi criada para comunicação direta entre o setor e o Governo Federal, via Ministério da Cultura. E isso é uma novidade (porque a moda, até então, estava associada apenas ao Ministério do Comércio e Desenvolvimento).

Parêntesis. A Economia Criativa está no discurso de dez entre dez políticos dos governo, de profissionais da cultura, empresários, produtores culturais e empresas patrocinadoras: seja pelo seu imenso poder de gerar renda e emprego de forma imediata e em escala crescente, seja pelo potencial do Brasil, que tem a criatividade no seu DNA. O setor criativo é a bola da vez, inclusive no nível internacional: o governo da China utiliza a economia criativa como estratégia de desenvolvimento e sustentabilidade e, de olho no Brasil, tem convidando vários artistas e designers brasileiros para morar lá, para troca de vivências e experiências.

Pela sua complexidade, as diretrizes foram divididas em três campos de ação: de curto, médio e longo prazo. Um dos primeiros projetos provavelmente dirá respeito à criação de um (ou mais) museu (s) de Moda – não existe nenhum no Brasil - e acredito que vai ser uma prioridade – existem rumores de dois projetos apenas na cidade do Rio de Janeiro… Publicações e exposições também devem ser estimuladas no curto prazo: basta incluir a Moda nas leis de fomento (como a Lei Rouanet).

Adriana Rattes, secretária de Cultura do Rio de Janeiro, saiu à frente e incluiu Moda e Design nos editais da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de 2010 e já está beneficiando o setor. Foi o primeiro e veremos os resultados em 2011.
Agora, é acompanhar a iniciativa do governo federal (com uma eleição no caminho, tudo deverá ficar para o ano que vem). Mas fica aqui o registro.

1- http://blogs.cultura.gov.br/cnc
2- A lista completa está publicada no site do MinC em http://www.cultura.gov.br/cnpc/2010/10/01/colegiado-setorial-de-moda



Fernando Molinari
- Diretor Executivo do Instituto Brasileiro de Cultura, Moda e Design/Inbracultmode. Criador e produtor da Babilônia Feira Hype e do portal Roda da Moda (web docs de arte e processo criativo). Atualmente, termina a pós-graduação no MBA Gestão Cultura/UCAN, coordena o Prêmio Rio Moda Hype (concurso de desfiles para novos talentos no Fashion Rio), e ministra a aula “Eventos de Moda” no curso Gestão do Entretenimento da FGV

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