Ah, se eu tivesse autonomia…
Escrita em 21/10/10 por admin
Artigos e Colunas
O que é melhor para a carreira de um produtor cultural: trabalho com horário fixo em um único lugar ou trabalhar como autônomo, de forma independente?




Taí uma pergunta cabeluda. Não tem resposta pronta. Não é fácil responder. Para complicar, pode ser respondida sobre vários ângulos, o que muitas vezes nos leva a demorar a tomar a decisão.

Nestes oito anos em que atuo como um produtor cultural independente, muitas vezes as circunstâncias da vida me levaram a ter que responder esta pergunta. No início, eu era muito rígido. Achava que um produtor cultural necessitava de tempo livre. Hoje acho que vários formatos de trabalho são possíveis.

Mas ao trabalhar num lugar fixo, poderei realizar os meus projetos? Nem sempre. E ter tempo livre sem gerar um fluxo frequente de renda dificilmente facilitará que a gente realize algum projeto.

Então, aparece um componente importante para se pensar uma possível resposta para esta questão: o risco. Estamos dispostos a assumir os riscos das nossas decisões?

Talvez você se sinta corajoso e diga "sim". Fico feliz com a sua resposta e também respondo "sim". Mas para a maioria das pessoas, a resposta é "não". Talvez você ache que a maioria das pessoas talvez diga não porque escolher atuar na produção cultural ou trabalhar com cultura não seja prioridade, seja um supérfluo. Uma necessidade mais básica, por exemplo, seria cuidar da saúde. Mas até nas necessidades básicas o comportamento das pessoas é, em geral, avesso às mudanças.

A edição do programa Globo Repórter, da Rede Globo, do dia 27/08/2010, mostrou que o Brasil é o segundo país mais estressado do mundo e sabe qual é umas das principais causas: o trabalho.

O interessante desta pesquisa é que recomenda-se que as pessoas mudem o ritmo de sua vida, mas uma pesquisa feita nas cidades de São Paulo, Porto Alegre e Belém mostrou que apenas 10% dos entrevistados conseguiram mudar de trabalho ou de carreira pelo bem da saúde. Anote este número: 10% conseguiu mudar.

Mas porque 90% não consegue? Ana Maria Rossi, psicóloga do International Stress Management Association (ISMA-BR), responde a questão: "O desafio é que as pessoas querem mudar de vida porque elas notam que não estão bem, ou que não estão tendo o convívio com os familiares ou o estilo de vida que elas gostariam. Mas elas não querem deixar de ter nada do que elas têm”.

Quando você receber propostas de trabalho, pense sobre isso: você está disposto a correr o risco de deixar de ter algo que já têm? Você tem objetivos definidos que compensem este risco?




Alê Barreto
tem 38 anos. É administrador, produtor cultural, palestrante e gestor de conteúdo dos blogs "Produtor Cultural Independente", "Alê Barreto", "Aprenda a Organizar um Show" e "Encantadoras Mulheres".

Outras notícias e comentários adicionais estão disponíveis em: Fazer e Vender Cultura
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores.