Ponto Cine
Escrita em 18/10/10 por admin
Casos de Sucesso


Há quatro anos uma sala de cinema vive lotada em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro. É o Ponto Cine, cujo "segredo" é revelado por seu proprietário, Adailton Medeiros: “Agora radicalizamos, só exibimos filmes brasileiros. Esse é o nosso grande diferencial: somos o único cinema a exibir apenas conteúdo nacional”.

Em 1995, Adailton pediu demissão do emprego que mantinha por onze anos, comprou um projetor e montou um cineclube. Passou então a fazer projeções de cinema em locais alternativos por meio do programa Cinema BR em Movimento. Uma delas aconteceu na praça de alimentação do Guadalupe Shopping e o sucesso foi tão grande, que ele foi convidado pela administração do shopping para montar uma pequena sala de cinema.

“Não tinha dinheiro e fui atrás de parceiros. Entre eles, a RioFilme. Saí de lá como integrante de um projeto novo de salas digitais e a promessa de investimento. Porém, no fim das contas, só consegui um empréstimo, que fui pagando aos poucos”, lembra. A sala digital reduz os custos de operação e a emissão de gases de efeito estufa e, por isso, no fim do ano passado o Ponto Cine ganhou o selo Carbon Free, tornando-se o primeiro cinema da América Latina com essa chancela.



A sala de cinema começou a operar em maio de 2006 dando prioridade ao cinema nacional e aos filmes de arte. Em 2010, Adailton decidiu: era a hora de assumir integralmente sua paixão pelas produções nacionais: “O número de filmes brasileiros aumentou e conquistamos um público grande. Os filmes nacionais elevam a auto-estima porque o espectador se identifica. Nada melhor do que conhecer o país onde você se vive por meio da telona”.

Para atrair e manter os espectadores, Adailton não para de inventar. No projeto “Diálogos com o cinema”, após a exibição acontecem debates com professores e estudantes da rede pública. No “Cinema escola”, estudantes misturam-se ao público pagante em horário comercial e assistem a filmes de graça. Em “Cinema para todos” é a vez de os moradores das comunidades do entorno terem acesso à telona. O “Tela Móvel” leva trailers para circular pelas redondezas a bordo de uma van decorada com motivos de filmes nacionais, turbinada por um pipoqueiro e lanterninha que interage com o público.

Este ano a campanha interna do cinema tem o slogan “2010 é 100!”, que pretende alcançar a meta de 100 mil pessoas na plateia. Adailton diz que esse número será atingido em breve: “Achei que a gente fosse chegar perto, não sabia se conseguiríamos de verdade. A essas alturas já ultrapassamos os 92 mil. Vamos bater a meta até novembro”.


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