E agora, José?
Escrita em 18/10/10 por admin
Artigos e ColunasInclusão digital, um tema realmente importante porque, diante das mudanças produzidas pela informática, quem não souber lidar com as máquinas, estará fora. Obviamente, os mais pobres continuarão sem poder entrar na festa. A desigualdade da sociedade não está apenas na distribuição da riqueza – tão desproporcional, mas é agravada pela concentração de conhecimento, de capacitação e de perspectivas. E, muito naturalmente, de poder.

Os governos já estão sensíveis ao tema. Algumas regiões pobres de grandes cidades, como Rio e São Paulo, recebem gratuitamente sinal banda larga wireless. O governo federal estuda a criação de  uma empresa de telecomunicação para prover este acesso. Mas oferecer este serviço em todo o território nacional é um desafio enorme, que andará no ritmo da política nacional. Aos tropeços.

Entre as alternativas para amplo acesso à internet está o uso das linhas de transmissão de eletricidade, uma tecnologia ainda em desenvolvimento que deverá funcionar em menos de dez anos.

Parece que todos, até mesmo os excluídos, entendem a importância de se habilitarem para a inclusão digital. O mercado corre atrás da freguesia que ainda vive em tempos analógicos e as lojas de departamentos oferecem PCs como eletrodomésticos comuns: para quem puder pagar em suaves prestações. É a ascensão da classe C, cuja base instalada cresce a olhos vistos.

O problema que persiste é o dos programas, os softwares. A máquina sem software vale pouco. Os preços e a facilidade da cópia empurram os usuários para a pirataria, sob o olhar – entre complacente e indignado – de seus autores. No fundo, as grandes empresas não perdem tanto, porque o que se pirateia são principalmente os produtos líderes de mercado. Como a utilização de um programa demanda um tempo de aprendizagem e a criação do hábito, não chega a ser de todo ruim que as pessoas se acostumem com ele. Isso cria hegemonia de um aplicativo, o que alavanca as vendas oficiais, para empresas e órgãos públicos.

O software livre, gratuito, é uma solução. E instrumentos como a ASuite (Truques e dicas) permitem que o usuário reduza o tempo gasto aprendendo novos e diferentes programas, uma vez que ele leva consigo o programa que já sabe usar.

Mas e se tivermos, num prazo razoável, a infra-estrutura da informática acessível à maioria???

Aí, entramos nós.

Note: tudo que circula na infovia tem a haver com a produção cultural. Sites, programas, imagens, sons - que têm seus autores, seus produtores e que movimentam a Economia da Informação.

Os técnicos darão suporte. Mas aquilo que aparece na internet é território para nossa ação, a dos produtores culturais.

O que faremos com essas tantas possibilidades?



Miguel Gomes
é advogado, produtor cultural e consultor. Presidente do Clube da Cultura, professor do Departamento de Comunicação da Puc-RJ e Publisher de Fazer e Vender Cultura.

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