Pitching
Escrita em 17/10/10 por admin
Mercados
Veio do beisebol – esse esporte tão desconhecido entre nós – a palavra “pitching”, usada para o lançamento da bolinha que dá início àquele estranho jogo de coreografias e correrias entre as bases. E foi parar na área dos projetos culturais – essa rotina tão nossa de cada dia. Pois o pitching está se tornando um formato de seleção de projetos usual na área das produções audiovisuais brasileiras.

Na sua versão tradicional, o processo começa com as pré-seleções de projetos, seguindo o regulamento de cada edital. Depois os organizadores reúnem os trabalhos selecionados e convidam consultores de televisão e produtoras nacionais e internacionais para a avaliação. Um dia é reservado para a apresentação dos projetos e cada candidato tem 15 minutos para defender sua cria (em geral, sete minutos de apresentação oral e oito minutos de debates com os convidados - os potenciais compradores). Também pode ser utilizado algum recurso audiovisual, o que não deve ultrapassar dois minutos.

Existem outros formatos de pitching, como o one to one, utilizado nas grandes feiras e festivais internacionais, quando em várias mesas (ou stands) com os compradores, os produtores fazem suas apresentações num curto espaço de tempo. No speed pitching (nos EUA, é claro) o produtor tem um tempo máximo de três minutos para fazer sua apresentação e, após este tempo, toca um sino encerrando a fala. Nos megapitchings, mais de 400 emissoras de TV se reúnem e avaliam os produtores e o grau de interesse de cada projeto para seus países.


Uma sala de entrada democrática e prática


O diretor, documentarista e roteirista Victor Lopes – professor da Fundação Getúlio Vargas (onde há uma cadeira dedicada ao pitching) – acredita que essa é uma forma democrática de apresentar projetos e permite a exposição das ideias sem burocracia. Suas principais realizações, como o documentário “Língua – Vidas em Português” e “Serra Pelada”, passaram pelo pitching.

Lopes diz que, na Europa, o pitching se popularizou na segunda metade da década de 90. No Brasil, foram as TVs a cabo que o adotaram no início da década seguinte, por conta da própria demanda do setor. Os representantes das TVs recebiam muitas propostas de projetos e não conseguiam fazer a triagem adequada do material.  De lá para cá, o formato se estabeleceu por sua praticidade tanto no mercado audiovisual, quanto em outros segmentos.

“É verdade que o processo de pitching permite um lado marqueteiro”, admite Lopes, e a empolgação do candidato pode contribuir para a aprovação do projeto. Mas o mais importante é que a exposição permite aos compradores avaliar aspectos positivos e negativos do trabalho. “E isto aumenta a relação de confiança, o que é muito bom para o mercado audiovisual. É um processo de triagem que cria vínculos”, opina ele. No entanto, Victor avisa aos navegantes que há uma certa “dureza” nas críticas, durante o processo. Os convidados não hesitam em apontar os pontos negativos e sugerir mudanças, o que não impede que o projeto seja aprovado. Mas “invariavelmente a pessoa selecionada acabará tendo problemas se não levar em consideração as ponderações apontadas no pitching”.

Victor acredita que este formato está ganhando mercado porque é um facilitador, já que desburocratiza os processos e trabalha com uma esfera pragmática e ao mesmo tempo pessoal na realização dos projetos. A empresa que adquire o projeto já está informada sobre a ideia, a capacidade de execução da pessoa e os custos. “O pitching é uma sala de entrada, só depois é que se fecham os orçamentos e investimentos”, conclui.

Atual conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Produtores Independentes de TV, Fernando Dias concorda com Lopes sobre o nível de exigência presente nesses processos: “O produtor precisa ter o projeto muito bem desenvolvido e bastante firmeza na hora de apresentá-lo, pois há muita tensão. Qualquer ‘escorregada’ pode enterrar de uma vez o projeto e corre-se o risco de ter sua própria imagem comprometida”.

Apesar de toda a pressão, Dias acredita que o pitching facilita a abertura do mercado para os produtores independentes. Ele conta que sempre há um mediador nesses processos, geralmente uma pessoa com muita informação na área, e contribui tanto para os produtores quanto para os representantes das TVs. E destaca o Hot Docs (Canadá), onde se concentram as mais importantes TVs e produtores do planeta, o festival de Amsterdam e os Real Spring (Washington e Nova York).

Dias considera que o pitching utilizado em processos de seleções públicas no Brasil está sendo bem aceito pelo mercado audiovisual. Aqui, seu destaque é para o Fórum Brasil – Mercado Internacional de Televisão, organizado pela Converge Comunicação (São Paulo).



Comentários:
 
 Cada vez mais comum
Escrita em 17/11/10 por Guest
Está cada vez mais comum o uso do pitching para vender projetos. Nos últimos três meses já fiz quatro apresentações deste tipo.

 Um recurso a mais
Escrita em 17/11/10 por Pedro Paulo
Este tipo de apresentação é um recurso a mais para selecionar um, dentre tantos, projetos. Mas um ideia consisttentemente trabalhada é o fundamental.

 Diagrama
Escrita em 17/11/10 por Mazé
Muito legal o diagrama. Dá um mapa de como montar a apresentação. Muito legal.
Parabéns.

 Bacana
Escrita em 17/11/10 por Antero
Gostei muito.

 Treinemento
Escrita em 18/002/11 por Guest
Esse tipo de apresentação é dificílima de fazer. Você vai estar nervoso, como se fosse num programa de calouros, com os jurados te olhando de frente. Tem que treinar muito.

 Apresentação
Escrita em 25/11/16 por Montecristo
Como sou professor, uso uma técnica que funciona muito bem quando vou apresentar qualquer tipo de Pitching. Encaro o júri como se os que fazem parte dele fossem meus alunos.

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