Uma produtora do outro mundo, no Brasil

Parte deste investimento foi feito por meio de um fundo de investimento. Este fundo foi criado para isso?

O Fundo de Investimento do BRJ foi criado para este filme, mas não foi usado nele. Não deu tempo, não ficou pronto a tempo. Parte do investimento foi feito com recursos do próprio banco, mas o Fundo está se preparando para fazer outros filmes.

A criação de fundos de investimento está prevista desde a lei Sarney, de 1986, mas poucas vezes isso conseguiu ser implementado. Só numa época em que a legislação permitia juntar os incentivos fiscais da Lei Rouanet e do Audivisual. Aí apareceram alguns fundos e tivemos uma safra boa de filmes.

Para entrar numa empreitada dessas um banco tem que ter uma motivação muito grande, uma ligação forte com o cinema. Eles são bancos, antes de tudo. O caso do BRJ é um exemplo. É um dos bancos que mais emite certificados da Lei do Audiovisual. Ele já está próximo do cinema. O Paulo Mendonça (hoje no Canal Brasil) foi diretor do Banco durante muitos anos. Ele é muito próximo do Luis Augusto, o presidente, que também tem esta ligação. As empresas são feitas por pessoas, que acabam direcionando a atuação delas.

Num filme como Nosso Lar, além de recursos, as parcerias são indispensáveis. Como foi sua relação com seus parceiros?

Não poderia ter sido mais harmônica (e olha que a gente passou por momentos bem difícies durante a filmagem). Mas também não daria para fazer um filme chamado Nosso Lar em que se o ambiente não fosse de harmonia. A temática também impõe um comportamento nas pessoas.
A proposta do filme é essa, de se repensar, de olhar para dentro de si, de que existem coisas mais importantes do que as bobagens do cotidiano. As pessoas atraídas pelo projeto, foram aquelas que entendem isso. Mas o clima foi harmônico.

Qual sua expectativa de bilheteria para esse filme?

Seu fosse você 1 teve três milhões e alguma coisa; o 2 teve seis milhões e trezentos, por aí.
Não sei dizer uma expectativa, mesmo porque a gente está falando de números enormes. Conseguir um milhão de espectadores, neste país, já é uma coisa muito difícil!

Vocês ganharam dinheiro com o sucesso dos filmes? Dá para ganhar dinheiro com cinema no Brasil?

Se você perguntar se nossas vidas mudaram, responderei que não. Mas claro que, sim, dá para ganhar dinheiro. Pelo menos quando os filmes chegam a estas marcas. Mas são filmes com muitos sócios e você divide o lucro com um monte de gente.
Mas não é a regra. Eu adoraria dizer que já dá pra viver de cinema no Brasil (mas, estranhamente, eu vivo de cinema até hoje). Mas são poucos os produtores que conseguem. Isso pode mudar:  já existe um processo mais amadurecido para além do cinema, que é audiovisual. Tem que tentar outras mídias!

 

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É. Eventualmente espetáculos, shows e o que mais rolar, né?

Tudo, tudo é bacana. Eu adoraria fazer uma peça de teatro. Tô louca para fazer uma série de televisão. Não tem essa obrigatoriedade de que só pode ser cinema.

Qual é a maior dificuldade para fazer cinema no Brasil?

Eu acho que é a captar recursos. Tivemos muitos avanços. Se juntar todas as possibilidades de financiamento, incentivos, fundos setoriais-  a gente tem um cenário bem melhor que nos anos passados.

O cinema conseguiu um status de profissionalismo bastante mais alto que os demais segmentos culturais. Os valores envolvidos na produção de cinema também são muito maiores. O que os demais setores da produção podem aprender com o cinema?

Honestamente, não sei te responder. O cinema tem um tamanho que poucos projetos culturais têm. Você vai num set de filmagem e, às vezes, tem quinhentas pessoas – figurantes, técnicos, artistas.... é muita gente! Os orçamentos, naturalmente, não muito maiores. Se você não tiver uma superorganização e uma meta de se industrializar, fica impossível. Eu não saberia comparar isso às outras áreas culturais.

Você não acha que o grande avanço foi uma postura, no cinema, mais profissional do que o comum em outras áreas?

É, também uma questão de postura. Os profissionais do cinema fizeram questão de dizer: nós somos uma indústria. E as pessoas começaram a perceber as coisas assim. Mas o cinema é uma indústria mesmo.  O teatro, por exemplo, é mais artesanal.  A dificuldade de fazer é equivalente, mas são processos diferentes.

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Um sucesso retumbante: Se eu fosse você, 1 e 2, foram vistos por quase 10 milhões de pessoas