Uma produtora do outro mundo, no Brasil

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Depois dos sucessos com as trocas de alma em “Se eu fosse você” 1 e 2, IAFA BRITZ pilota uma nova empreitada. Desta vez, ainda mais do outro mundo. Trata-se do longa-metragem “Nosso lar”, baseado na obra psicografada por Chico Xavier, que entra em circuito nacional com 400 salas de cinema, apoiado por uma intensa campanha de divulgação.

O filme, com orçamento de 20 milhões, utilizou pouquíssimos recursos públicos em sua produção, atraiu investidores, capitaneados pelo Banco BRJ e produziu até a criação de um fundo de investimento em cinema.

Inaugurando carreira solo, depois de se desvincular da Total, Iafa conversou com nossa revista sobre esta nova fase de sua vida, seus planos e sobre como conseguiu fazer esta superprodução.

MIGUEL GOMES - Como você está se sentindo às vésperas da estreia?

IAFA BRITZ - Ansiosa, animada e... sei lá! Eu acho que é muito trabalho até agora. Mas é um momento de muita ansiedade. São os últimos dias de um processo de anos de trabalho. E num fim de semana, ou antes, numa sexta-feira, a gente vai saber qual o resultado desses anos de trabalho... o que é bastante cruel.

Realmente, é cruel.  O produtor aposta sempre muito em cada jogada. Corre risco sempre. Durante muitos anos você fez parte do Festival do Rio, que é um megaevento. A que você atribui o sucesso e continuidade do Festival?

Eu acho o Festival do Rio um evento absolutamente importante para a Indústria brasileira, que coloca a cinematografia nacional em visibilidade no mundo todo. Ele acontece há muitos anos, tem um nome, credibilidade. É importante que ele aconteça especificamente no Rio de Janeiro, que é uma cidade tão simpática, atraente. E ele hoje é conhecido. Tem os amigos do festival, que são pessoas que colaboram o ano todo para que ele tenha a melhor programação possível. E é um momento de encontro, mesmo, da indústria. Nos seminários, têm as reflexões, os debates. Tem a possibilidade de encontrar pessoas de outros países a que a gente dificilmente teria acesso.
É um trabalho de continuidade. Tem que trabalhar o ano inteiro, buscando parcerias certas, buscando oportunidades. A continuidade é que faz com que o Festival tenha a importância que tem hoje. O fato dele nunca ter parado, independentemente dos tempos, das conjunturas.

Quer dizer que a receita ali é garra e disposição?

E parcerias. Se os governantes entenderem (e acho que os atuais estão entendendo) que é preciso existir uma parceria do sistema público e do privado, o Festival é um encontro perfeito para um evento deste porte. Nenhuma das partes, sozinha, conseguiria realizar. Um evento grande, de porte internacional, tem que ter apoio do governo, tem que ter apoio da prefeitura, tem que ter apoio do Brasil. Afinal, é o Festival do Rio!

Como foi sua saída da Total?

Minha saída foi suave, na medida das possibilidades, porque é uma separação entre amigos, que somos há muitos anos, tipo irmãos mesmo, com uma vida em comum.  São, sei lá, mais de 15 anos, lutando do mesmo lado da guerra, na mesma trincheira. Mas é um momento meu, que precisava seguir outros rumos. Não teve nenhum fator, nenhum evento que tenha criado alguma incompatibilidade. Era eu que estava num momento de vida diferente mesmo e precisava seguir outro caminho.

Como é a carreira solo, mais difícil?

Só vou poder responder isso daqui a um ano, ou dois. Faz muito pouco tempo. E acabou emendando o Nosso Lar, um filme que nem tinha sido planejado pra ser um filme do tipo de primeiro vôo solo, ou coisa assim. Acabou acontecendo por conta da vida mesmo. Saí da Total já com um envolvimento emocional completo com o filme e isso acabou se transformando num envolvimento profissional também.
Mas eu noto diferença: quando a gente acostuma a trabalhar com um grupo grande, numa estrutura grande, a gente adquire certos vícios que, quando você volta para uma estrutura menor, te obrigam a se reorganizar interna e externamente. Seu tempo tem que estar direcionado para aquilo que realmente é importante, teu foco tem que ser mais apurado e a disposição tem que ser 100%.  Não dá para ter preguiça. Nem pra dar uma descansadinha. Mas, por outro lado, são escolhas que a gente faz na vida.

Você é espírita?

Eu sou judia, de criação. Meus filhos estudam em escola judaica. Eu sigo as tradições judaicas mas me identifico muito com o espiritismo também. Assim como busco e estudo várias outras religiões e doutrinas. Eu sou uma judia/espírita/ecumênica, podemos dizer assim.