A revolução digital da luz
Escrita em 29/008/10 por admin
Som

O domínio da luz no espaço cênico é tudo. É a luz que permite contar uma história, que dá o clima e que define espaços e tempos. O espetáculo acontece numa caixa preta com a platéia no escuro. O que é visto é o que a iluminação mostra.

A tecnologia tem sido impactante para a iluminação cênica. Os aparatos – refletores, spots, lâmpadas, mesas, fiação – são hoje muito mais econômicos, leves e versáteis.  Sua eficiência energética e luminosa vem melhorando a olhos vistos. Os efeitos especiais, só vendo! Os custos caíram, mas o melhor de tudo é que a operação foi muito facilitada.

O iluminador – um artista criador que trabalha diretamente com o diretor da montagem – desenha a iluminação do espetáculo. Os refletores precisam ser afinados, um a um, compondo as cenas criadas. “Era uma trabalheira insana, subindo e descendo em escadas precárias horas a fio. Os refletores esquentavam, a escada balançava e você tinha que se equilibrar para fazer seu trabalho. Era quase coisa de circo”, diz Beto Fraga, técnico de iluminação teatral. E continua: “as mesas tinham poucos canais, cada canal suportava poucos refletores e a fiação era pesada: era uma montanha de fio!”.


Nada será como antes

Até o ano da graça de 1986, as mesas de iluminação analógicas, praticamente, só comandavam o dimmer – aquele dispositivo usado para variar a intensidade luminosa de uma ou mais lâmpadas e controlar a quantidade de energia enviada, gerando maior ou menor luminosidade. Até que surgiu o protocolo de comunicação DMX-512, um padrão que revolucionou as formas de iluminar pequenos e, principalmente, grandes espetáculos

O barateamento dos (servo)mecanismos que permitem movimentar os refletores à distância e o surgimento do padrão DMX  - que comanda tudo - fizeram a luz sair da era analógica e entrar na era digital.    

O DMX-512 promoveu a comunicação entre dispositivos de iluminação e definiu regras para essa comunicação e interligação. De acordo com o iluminador César de Ramirez, da Cia da Luz, esse novo padrão digital promoveu o aumento da profissionalização e da confiabilidade no equipamento e nos seus resultados.  Atualmente, as mesas digitais têm outras funções, como abrir cortinas e acionar máquinas de fumaça. “Hoje o iluminador possui muito mais recursos para fazer a iluminação e colaborar efetivamente para o sucesso de um espetáculo”, afirma Ramirez.


Menos é mais

Um console DMX pode funcionar a partir de um notebook, o que torna desnecessárias as enormes mesas de luz de antigamente. Os fios, também, estão sumindo do mapa, ficando restritos apenas aos necessários para a passagem da corrente elétrica: o padrão DMX-512 dá suporte para comunicação wireless podendo comandar moving heads, scans, lasers, dimmers, painéis, pistas e cortinas de leds, projetores de todos os tipos e máquinas de fumaça. Efeitos seqüenciais, strobos ou rítmicos já saem prontos da mesa.
Para usar um PC para controlar a luz é necessário um software especial, que cria o console virtual na tela do micro (existem alguns gratuitos e em shareware. Os comerciais começam em U$ 199,00). Também será preciso um hardware que faça a ligação do micro com as lâmpadas. Já existem modelos que utilizam uma porta USB nesta conexão, mas o padrão é com um plug RJ-232 – aqueles que são usados para a conexão de instrumentos MID ou o uso de joystick. Uma interface dessas custa a partir de U$ 98,00.

Se a opção for por mesas de luz exclusivas – que hoje são compactas e leves, lembrando mais painéis – o preço dependerá dos recursos disponíveis, do número de canais e de cenas pré-definidas. As mais baratinhas (192 canais, 8 cenas) custam cerca de R$ 500,00; uma com 512 canais custará perto de R$ 2.500,00.

Se na era analógica cada refletor era ajustado para uma determinada situação e ficava fixo lá, o DMX abre a possibilidade de utilizar uma menor quantidade deles. As cenas são programadas e o mesmo refletor é utilizado em várias situações. Com significativa redução nos custos.

No padrão analógico de iluminação, cada canal é comandado por um fio, que deve estar ligado aos dimmers e mais um de referência, tornando a engrenagem complexa e cara.


No padrão digital, um único cabo DMX-512 pode enviar 512 canais, o que simplifica muito, inclusive nos deslocamentos.






Melhor para criar



Aurélio de Simoni, premiado iluminador, concorda e acrescenta que a utilização dos consoles computadorizados favorece a criação. Para ele os avanços tecnológicos nesta área, como o advento das mesas e refletores robóticos, expandiram a dinâmica da iluminação de um show, ou evento, no que diz respeito ao movimento, mudança de cores e a diversidade de projetores existentes. “Um iluminador sintetiza-se ao conjugar sua sensibilidade e conhecimentos técnicos, dando asas à sua criatividade”, ressalta.

Segundo Simoni, aconteceu também um aumento das produções de grandes shows realizados em palcos amplos e abertos, o que permite ao iluminador estabelecer, junto à cenografia e produção, qual será o espaço utilizado pelo artista e sua banda: “Isso dá mais liberdade de criação. Em recintos fechados, o iluminador fica restrito aos limites técnicos de altura, largura e profundidade do palco”.
Ramirez acrescenta que ambientes menores e fechados como teatros, por exemplo, necessitam uma iluminação básica com lâmpadas halógenas, refletores tipo PC, fresnel e elipsoidal  - usados para recortes de luz, ou iluminação pontual de precisão. Os refletores para mega-shows, principalmente os musicais, necessitam de forte potência. Normalmente utilizam-se lâmpadas PAR – que agora são feitas com LEDS, os moving lights -  se movendo e desenhando traços de luz - e um sem número de efeitos especiais, com lazer, projetores e neon integrados na  cenografia.

Ramirez considera que as facilidades de importação levaram a uma proliferação de pequenas empresas de iluminação, num setor em que a qualidade do serviço deve pesar bem mais nas decisões de produção do que custos estranhamente baratos. E recomenda obter referências de outros trabalhos já realizados pelas empresas de iluminação que estiverem sob consideração.

Comentários:
 
 PARABÉNS
Escrita em 18/009/10 por Guest
É quero parabenzar essas informações tão úteis e clara, para que todos os profissionais ou não de luz, produção, direção de espetáculo tenha conhecimentos, técnicos para melhorar seu espetáculo.
"dividir conhecimentos, é pureza de alma".
Aprendi muito e vou repassar para amigos que certamente também aprenderão.
Abraços
Isabel Alves

 Concordo!
Escrita em 31/005/11 por Tadeu
Concordo com a visitante acima! Estão de parabéns por tamanha clareza, esclarecem muita coisa, para nós, que não temos muito a quem recorrer para ajudar!

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