Alunos de Produção Cultural: órfãos do mercado
Escrita em 25/008/10 por admin
Artigos e Colunas
A Lei 11.091/2005, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, no âmbito das Instituições Federais de Ensino vinculadas ao Ministério da Educação, indica, em seu Anexo II, a graduação em Comunicação Social como requisito para o cargo “Produtor Cultural”, e não a graduação em Produção Cultural.

Tal fato tornou-se motivo de uma campanha entre estudantes e graduados dos cursos de Produção Cultural da UFF, que também está sendo aderida pelos alunos do IFRJ, através de uma petição online para que o Congresso Nacional revise o texto e inclua os produtores culturais. A produtora Amanda Wanis, formada pela UFF, apela aos amigos, encaminhando um e-mail com o link da petição: “Sei que é ridículo, mas preciso da ajuda de vocês para melhorar minha profissão e meu diploma.”


Consegui o diploma! E agora?



Esta é uma das maiores inquietações do produtor cultural recém-formado. Em um mercado cultural competitivo na busca de espaço o iniciante encontra diversas barreiras para inaugurar sua carreira. Além das dificuldades imposta pela lei, outro grande problema é ter que competir com profissionais que não possuem a mesma formação – batalha que só recentemente os jornalistas passaram a conhecer – e já estão consolidados no mercado.

Todos sabemos que não é necessário possuir título para ser produtor, da mesma forma como para ser cantor não se requer faculdade de Música. Mas o esforço para nos qualificarmos precisa valer alguma coisa. Por ser um curso novo, de uma nova profissão,  os alunos encontram grandes deficiências por parte da formação dos corpos docentes. Quase nenhum professor de Produção Cultural é graduado na área. E os que são de fato produtores com experiência e prática nem sempre encontram uma didática adequada para o estudante de Produção Cultural. As universidades deveriam criar um curso de Mestrado em Produção Cultural, para formar professores mais aptos a atender às demandas dos nossos estudantes.

O aluno, nos últimos semestres do curso, precisa de orientação para o mercado de trabalho. É sua maior carência. Ele, provavelmente, não teve experiências práticas – a maioria dos graduandos só possui formação acadêmica – e sente-se “órfão” pela falta de orientação e de oportunidades. Os  concursos que oferecem vagas próprias para as funções do produtor cultural, mas que o rejeitam aceitando comunicólogos, só contribuem para aumentar o desespero. Os últimos editais de concursos públicos  de órgãos como a ANCINE, o IBRAM e o MINC nos ignoraram – o IBRAM tinha como requisito para o cargo “Técnico em Assuntos Culturais” diversas formações, como Antropologia, Museologia e Comunicação Social, mas “Produção Cultural” era um item fora da lista.

É necessário mobilizar também as agências, produtoras de eventos culturais e emissoras de rádio e TV para que se ofereçam estágios a estes profissionais. Formandos de comunicação social, os queridinhos do mercado, têm muito mais facilidade de estagiar. Mesmo aquele calouro que não sabia, descobre que vai ter que dedicar 4 anos de sua vida se preparando para uma profissão incerta, promissora, mas com poucas perspectivas efetivas.

Há quem se surpreenda com a existência do curso de graduação e até da profissão: “Nunca ouvi falar, isso é pra quê?” é um comentário comum. Tudo bem que a profissão é nova. Tudo bem, termos que explicar toda hora, tudo bem que ser pioneiro é difícil mesmo, mas afinal, a responsabilidade de ajudar o mercado a ser mais profissional e qualificado, de quem é? De quem está nele, ou de quem pretende entrar?

Encerro o artigo para abrir o assunto.

Convido os leitores no prosseguimento da discussão.

E, é claro, junto-me aos demais produtores culturais pedindo que votem na petição (o link é: http://www.petitiononline.com/11091/petition.html) de revisão da Lei 11.091/2005.



HELIO MELLO VIANNA tem 27 anos, é graduado e especialista em Produção Cultural pelo IFRJ-Nilópolis, produz exposições de artes visuais e filmes independentes. Atualmente está lançando o documentário “nova iGAYçu”.

Comentários:
 
 Obrigada pelo Apoio
Escrita em 08/009/10 por Guest
Olá, Helio,
É realmente uma pena isso acontecer, mas vamos continuar na luta. Ano que vem o curso fará 15 anos e estamos nos mobilizando para modificar essa situação.

Gostaria ainda de lembrar que este email que enviei foi uma iniciativa dos alunos da Procult da Uff como um todo. Iremos entrar em contato com alguns deputados para conseguirmos algum apoio na caminhada, que já sabemos é árdua.

Att,

 Excelente texto
Escrita em 08/009/10 por Carlos
Você conseguiu resumir muito bem as nossas deficiências quanto a formação e mercado de trabalho.

 Parentesco?
Escrita em 25/002/11 por Guest
Olá, Helio. Moveu-me a curiosidade de saber que temos o sobrenome em comum.
Será que eu tenho um outro filho e nem sabia? rss
Li o texto e gostei. temos algo em comum, além do sobrenome: a cultura, as artes. (E ambos gostamos de escrever, é clato!)
Se lhe apetecer, visite-me no blog
www.eueosbotoes.blogspot.com
Um beijo e sucesso na sua carreira, apesar dos pesares!

 Artigo
Escrita em 01/004/11 por Guest
O caminho realmente é este para que possamos adquirir espaço no mercado altamente competitivo, se torna necessario fazer provocações e gerar discursões sobre o tema,se a classe estiver unida e empenhada em fazer valer os direitos pode ser mudado as leis e as normatizações, com isso nos inserir nos concursos e no mercado de trabalho.

 Contatos
Escrita em 05/002/13 por Guest
Gostaria do Contato de vocês para entrar na luta para a mudança, me enquadro na situação.
Grato
Rubem

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