Gente, olha aqui!!!
Escrita em 23/008/10 por admin
Infra-EstruturaO que se chama de divulgação é um conjunto de ações de marketing que empregam técnicas de comunicação englobando a publicidade, a propaganda, a assessoria de imprensa, as mídias sociais, os canais virtuais, as relações públicas, a promoção e o que mais for possível inventar para gritar “Gente, olha aqui!!!”.

Produtor cultural bom de briga sabe que ter finalizado seu filme, peça teatral, show ou exposição é apenas a primeira etapa de um longo processo cujo objetivo maior é atrair espectadores. A partir daí, sobe ao ringue outro componente peso-pesado do trabalho: a divulgação.
E nem adianta justificar quando o evento fracassa: “Não conseguimos divulgar e por isso veio tão pouca gente”. Visibilidade e viabilidade nunca acontecem à toa. São coisas premeditadas. E se não acontecerem, são indicadores de que aquele projeto tem um grave erro de planejamento. Um projeto bem feito, cuidadosamente pensado e estudado em detalhes tem vários objetivos, dentre eles, ser viável e atrair público.

Quanto o projeto é patrocinado, a situação se agrava. Afinal, o que o patrocinador comprou do produtor foi o direito de aparecer na divulgação com o destaque equivalente aos recursos que investiu. É uma troca. Se o produtor não faz a parte dele, está numa encrenca.
A divulgação existe para fazer o produto aparecer, ser notado e atrair público, não necessariamente nesta ordem.  

Como a competição no mercado da visibilidade é acirrada, aparecer custa caro. Ser notado também não é fácil. Os estímulos simultâneos que tentam capturar um pedacinho do coração e da mente dos consumidores dificultam chamar a atenção. São cores, imagens, sons, pessoas lindas, marcas e até odores por toda parte, tantos que a gente acaba sem nem percebê-los. Atrair público, então, é uma proeza à parte que depende muito da divulgação e, sem ela, simplesmente não acontece.


Estratégias localizadas


Os veículos tradicionais de divulgação – a fabulosa televisão, as rádios, jornais e revistas impressos – são poderosos porque atingem muita gente e, por isso, custam caro.  Mas funcionam como o chumbo grosso, que se espalha tanto, que corre o risco de tornar-se um desperdício, se não houver um correto direcionamento do target (público alvo, em inglês).

Em contrapartida, existe uma série de possibilidades, ali mesmo, na rua, ao ar livre, para que o produtor divulgue – e com bons resultados – seu evento com mais eficiência se seus consumidores estiverem em uma localização geográfica definida.

A chamada mídia externa vem crescendo, a passos largos, ano a ano, com uma variedade capaz de deixar o tradicional outdoor com pinta de tiozão. Uma das vantagens da mídia externa (ou extensiva, ou alternativa) é o tempo de absorção pelo receptor da mensagem (apenas três segundos, no caso do outdoor). Entre a enorme variedade de produtos disponíveis, há no mercado aqueles considerados de mobiliário urbano, classificação que engloba a publicidade feita em relógios digitais, abrigos de ônibus e os totens giratórios, ou fixos.
As empresas que administram o mobiliário urbano são escolhidas pelas prefeituras das cidades. No Rio de Janeiro, quando o assunto é comercialização de mobiliário urbano, Cemusa e Clear Channel Brasil fazem uma divisão territorial: a primeira empresa atua nos espaços disponíveis na Zona Norte e Zona Oeste, incluindo Barra da Tijuca; a segunda, nas áreas da Tijuca, Centro e Zona Sul (São Conrado incluído).

Em São Paulo, a previsão da Prefeitura de retorno com as empresas que administrarão o mobiliário urbano é de R$ 2,5 bilhões em um prazo de 20 anos (no caso dos abrigos de pontos de ônibus) e de 16 anos (no caso dos relógios). Essa concorrência abrange a exposição publicitária em mil relógios de rua e 8.300 pontos de ônibus da cidade e o novo mobiliário da cidade só estará nas ruas no último trimestre de 2010.


Negociação


Para quem nunca se aventurou a comprar tais tipos de mídia, uma dica: compra-se um circuito de pontos (um total com itens variados de mobiliário urbano) por um determinado período. Descontos podem ser negociados caso a empresa aceite assinar como apoiadora cultural, colocando sua assinatura na peça de mobiliário urbano em questão, associando-se assim ao produto cultural.

A época do ano também é levada em conta na negociação: períodos de ociosidade são períodos de oferta. Na compra espaço publicitário, sempre dá para pechinchar – com base no volume ou mesmo no tipo de produto. Produções culturais costumam ter condições bastante favoráveis, muito inferiores aos preços de tabela da mídia.

Dependendo do produto e do veículo, acordos de co-promoção com rádios ou jornais, por exemplo, podem ser uma opção. O produtor paga entre 30 e 40% do custo de tabela, ganha uma bonificação extra e pode arranjar um espaço especial na programação, com sorteios de ingressos e brindes. Tudo, desde que apareça nos anúncios  “Promoção da Rádio tal..”.

O custo é um grande incentivo para a criatividade. Para atrair o olhar do futuro espectador, ou consumidor, pode-se investir em mídias externas como as que são afixadas em bancas de jornal, prédios, na traseira ou nas laterais de ônibus, na window media, ou ainda em táxis (vidro traseiro, adesivo, calota), caminhões e até bicicletas.
De fora para dentro, há outras opções como a mídia nas portas de elevadores, em televisores de ônibus e trens e em banheiros de estabelecimentos públicos.

Comentários:
 
 Boa publicidade
Escrita em 08/009/10 por Guest
Essa publicidade já virou parte do cenário carioca, quem hoje não se informa de novos eventos através destes mobiliários urbanos? Ainda mais quando a arte chama atenção. Já fui a mostras de cinema pois vi em um ponto de ônibus a publicidade. No Rio, se anda muito, e acho que é isso que dá um sucesso a esse tipo de marketing.

 Boa sugestão
Escrita em 31/005/11 por Paula
É bem verdade que nós já conhecemos tais tipos de propaganda, mas é muito bom poder ler sobre isso, voltado especificamente para os produtores culturais.Estão de parabéns!

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