Respiração urbana
Escrita em 12/007/10 por admin
Artigos e ColunasNestes tempos de Copa do Mundo com telas temporárias mostrando os jogos, as megatelas iluminam as praças e espaços públicos, trazendo vida a locais maçantes e cinzas. As pessoas querem eventos culturais e artísticos que envolvam a todos, não excludentes, que excitam e emocionam, especialmente em momentos de stress, quando precisamos de um pouco de consolo.

Nas boas épocas contamos com os grandes espaços públicos, mas é nos momentos de crise que realmente mais precisamos deles para nos fortalecer.

Nestes locais podemos fugir do estresse e tensões, curtir o tempo livre, encontrar os amigos, deitar ao sol, ou desfrutar uma “staycation”.  Estes espaços são verdadeiros spas urbanos, não necessariamente luxuosos, mas com um serviço essencial de saúde natural, preventivo e muito mais barato do que os planos de saúde podem oferecer!

O tamanho da grandeza de uma cidade é mensurado proporcionalmente à qualidade dos seus espaços públicos, seus parques e praças.  Melhor é quando podemos medir o impacto destes espaços e compará-los à qualidade de nossas ideias e inspirações inovadoras.  O público quer variedade e a possibilidade de experimentar momentos únicos, revigorantes, com coisas emocionantes e interessantes acontecendo a sua volta.

Os espaços públicos são geridos pelo poder público – que os constrói, com o dinheiro dos contribuintes – mas que tem se mostrado comprometido apenas, e quando muito, com a manutenção física dos espaços, mas não em torná-los vivos, de forma organizada, consistente e sustentável. Não é mesmo da missão e da vocação das administrações municipais a operação continuada de atrações. Então, esta ocupação fica relegada à espontaneidade do povo, que vai quando quer, se quer, sem uma direção e sem serviços que lhe sirvam. Espaços utilizados episodicamente, assistematicamente, acabam se degradando. É isso que dá início ao círculo vicioso de que fazem parte as praças mal tratadas, que pouco servem à população e que, por isso, submergem e contribuem para a desordem urbana.

A melhor solução para este problema crônico e a falta de uma política de urbanismo sustentável para as nossas cidades é o estabelecimento de parcerias entre o público e o privado (a produção cultural de empresas, ONGs, grupos ou indivíduos – mas essencialmente de gestão privada) que possam tornar nossos espaços públicos efervescentes, brilhantes e luminosos.

Belo exemplo é a recente inauguração da nova sede do Afro Reggae - em Vigário Geral, que, além do magnífico prédio, tem uma praça que não só respira, mas principalmente acolhe as pessoas, atraindo-as para um ambiente criativo, organizado e - o mais importante - celeiro e plataforma de discussão, identificação de novos talentos e jovens empreendedores.

Que mais espaços públicos como o Centro Cultural Wally Salomão nos inspirem e sejam criados em nossa cidade maravilhosa!




Cristina Bokel Becker
Gestora Cultural e coordenou diversos projetos artísticos como curadora e planejadora. Relações Públicas por  vocação, atuou nas áreas de comunicação e marketing, captação de recursos e negócios em empresas variadas. Foi por sete anos Gerente de Artes e Indústrias Criativas do British Council Rio e mais
recentemente Chefe do FILME NO RIO, Escritório de Apoio ao Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. Sua maior paixão pessoal é a dança - área onde mantém intensa atividade e colaboração.

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