O Rio de Janeiro como Cidade Criativa
Escrita em 13/007/10 por admin
Artigos e Colunas2010: o Brasil é a bola da vez! Com a proximidade de dois grandes eventos de esporte internacionais, só se fala em Brasil e todos os olhos estão voltados e se voltarão cada vez mais para cá. É uma oportunidade inédita de um imenso fluxo turístico e de investimentos - só para a Copa de 2014 são esperadas mais de 700 mil pessoas visitando o país. E o Rio de Janeiro, pela sua beleza natural única, pelo carisma de seu povo e todas as demais associações a esta metrópole, vai ser o catalisador deste fluxo, a grande cidade estrela irá representar o Brasil simbolicamente. O carioca vai ser o grande host da estória, com o papel de receber os convidados internacionais e nacionais. Imagine a responsabilidade? É a imagem do Brasil entrando na casa de todo o mundo - literalmente falando.

E o que a Cultura tem a ver com isto? Segundo o Creative Economy Report 2008, organizado pela ONU e pela UNCTAD* (um precioso e levantamento mundial nunca antes feito dos produtos e serviços culturais comercializados no período entre 2000 e 2005) que deve ser estudado - a cultura está entre os setores emergentes mais dinâmicos no comércio mundial, com uma média de crescimento anual de 8,7%. Já está mais do que provado que a economia criativa é o caminho para o desenvolvimento: na era do conhecimento, em que a informação e a criatividade são  commodities, investir em cultura pode ainda gerar mais empregos e tirar boa parte da população da marginalização: a Inglaterra, por exemplo, é um dos países que mais aposta na Economia Criativa para combater a crise internacional.

E ai entra o papel das cidades criativas: como define o Creative Economy Report 2008, inicialmente as cidades criativas devem ter uma massa de pessoas da classe criativa (toda a classe como artistas, produtores). Sem desmerecer o que é produzido nas outras regiões do país, o Rio provavelmente é a cidade que mais concentra pessoas de todas as áreas das indústrias criativas: fonográfica, audiovisual, editorial, arte visuais e cênicas entre outras - sem falar da economia do carnaval. Outro fator importante para as cidades criativas é que devem possuir aparelhos culturais (museus, teatros, etc) de forma a receber os produtos culturais. A cidade do Rio de Janeiro tem - mas é precário, pode ser bem melhor, embora seja uma das cidades do Brasil que mais tem eventos – Festival do Rio (Festival de Cinema), Anima Mundi, Festivais de Teatro, Dança, entre outros.

Será o Rio de Janeiro uma cidade criativa? É, mas não enxerga seu valor! Não usa isto a seu favor. Não utiliza essa característica como uma estratégia para seu progresso e sustentabilidade. A cidade do Rio de Janeiro detém potencial para desenvolver-se muito por meio da economia criativa. A falta de união entre os agentes produtores de cultura, a não comunicação e falta de planejamento prejudicam a cidade, deixando-o para trás. O Rio não tem, por exemplo, um grande evento musical ou de artes plásticas. Eventos importantes como a Bienal do Livro e semanas de moda (só para convidados) são feitos “aqui” mas são tipicamente comerciais.

Então, estamos preparados para a oportunidade que se abriu? O que a cidade pode fazer para melhor este quadro? Como nós, produtores culturais, podemos interagir neste mercado? Como a “bagunça cultural” e a desconexão entre os diferentes pólos de criação podem alinhar-se? A união das cadeias produtivas parece ser o caminho, por meio da realização de encontros periódicos, que podem ter nível nacional no início, internacionalizando-se depois.

Precisamos criar um calendário para unir os produtos. Quando não há um movimento da cidade com um todo, as ações ficam isoladas e muitas morrem na praia. O fomento da memória e da educação também deve ser estimulado, com a criação de novos museus, mais espaços culturais e espaços de convivência social; com o estímulo da educação e criação de cursos técnicos para ensino de novas profissões (conhecimentos tecnológicos, novas mídias) e também antigas (corte e costura, edição de imagens, por exemplo). Por que não criar uma rede de intercâmbio entre países, para trocas de experiências de diferentes projetos de fomento à cultura?

As ideais são muitas. Mas quem puxará este trem? Quem será a locomotiva?

A Cultura tem que ser um dos carros-chefes para as novas políticas públicas e a classe tem que aprender a se comunicar e se unir. O Rio de Janeiro bem que podia começar dando o exemplo.

Para ler o documento  Creative Economy Report 2008


Fernando Molinari é Diretor Executivo do Instituto Brasileiro de Cultura, Moda e Design; pós-graduando MBA Gestão Cultura/UCAM; criador e responsável pela feira cultural Babilônia Feira Hype; o Prêmio Rio Moda Hype para novos talentos e Roda da Moda/Roda de Docs, acervo digital de vídeos para internet sobre arte e processo criativo.

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