Cia. de Teatro Artesanal
Escrita em 12/007/10 por admin
Casos de SucessoA artesania é um ofício aperfeiçoado pelo tempo, temperado pela sensibilidade e premiado pelo reconhecimento de sua pertinência. Isso torna ainda mais evidente porque a celebração dos quinze anos de existência da Cia. de Teatro Artesanal merece destaque.



Desde 1995, a Cia. tem como característica a pesquisa de uma linguagem contemporânea e inovadora e a plasticidade que levem cultura e entretenimento a todas as faixas etárias. Mas, segundo os diretores artísticos, Gustavo Bicalho e Henrique Gonçalves, atrair o público infantil (a partir de oito anos) para o teatro sempre foi uma prioridade: formar novas plateias, habituando as crianças a uma linguagem teatral com textos inteligentes e excelência de produção. E, para isso, utilizar elementos lúdicos e belos como bonecos, sombras e máscaras.

Eles contam que a Cia busca transmitir valores morais e estéticos da sociedade. “Temos trabalhado com a adaptação de clássicos do teatro e da literatura como ‘Cyrano de Bergerac’, de Edmond Rostand, ‘Viagem ao Centro da Terra’, de Júlio Verne, ‘Pequenas Histórias do Mundo’ (contos populares mundiais) e em dramaturgia própria como ‘A lenda do príncipe que tinha rosto’”, diz Henrique.

Esse trabalho cuidadoso garantiu o reconhecimento tanto do público, quanto da crítica especializada. A Cia. já recebeu, entre outros, os Prêmios Myriam Muniz (Funarte), Maria Clara Machado (melhor direção e melhor espetáculo) com “Cyrano de Berinjela” e Zilka Sallaberry (melhor figurino e melhor iluminação) pela peça “A lenda do príncipe que tinha rosto”, que será apresentada neste ano nos Festivais Internacionais de Londrina e São José do Rio Preto. Com a participação no projeto Palco Giratório do Sesc, em 2007, a Cia. tornou-se conhecida em todo Brasil. De lá para cá, a equipe foi ampliada e tem hoje vinte pessoas, preparadas para trabalhar em todas as funções.

“A Cia. de Teatro Artesanal começou num momento oportuno e deu certo”, afirmam Gustavo e Henrique. Os diretores avaliam que o momento ainda é bom, mas é preciso estar atento para se adequar aos novos tempos. “Atualmente é preciso estar antenado para as novas formas de divulgação, como o marketing virtual nas redes sociais”, diz Gustavo. Eles reconhecem que é difícil sustentar-se apenas com o recurso gerado pela bilheteria e, por isso, é fundamental trabalhar com parcerias e patrocinadores. No entanto, frisam que só o trabalho com padrão de qualidade total pode garantir uma trajetória consistente.

Cerca de trezentas mil pessoas já assistiram aos trabalhos do grupo que, no início, investiu recursos próprios e conseguiu alguns parceiros com o “apoio cultural”. Num setor em que as receitas provenientes da bilheteria são sempre muito limitados, os produtores reconhecem que é importante alimentar a circulação e formar plateias mantendo um repertório. “Mesmo quando estreamos um novo projeto, conservamos em cartaz espetáculos antigos”, explica Henrique.

No segundo semestre de 2010 estrearão duas obras: “Teatro da Grande Marionete” e “O homem que amava caixas”. “O homem que amava…” é a primeira encenação voltada para o público adulto e inclui vídeo, história em quadrinhos e uma trilha sonora que será alterada a cada dia, de acordo com a movimentação dos atores e da plateia.

Como parte das comemorações, a Cia de Teatro Artesanal desenvolve também, em parceria com a A. Guimarães Produções, o projeto “O Futuro no Meu Jardim”, que visa à formação da consciência ecológica do público infantil e adolescente de escolas públicas e privadas no Rio de Janeiro. De autoria de César Amorim, a peça aborda assuntos como fontes de energia alternativa e meio ambiente.

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