Nova Jerusalém
Escrita em 12/007/10 por admin
Casos de SucessoO idealizador da Nova Jerusalém, Plínio Pacheco, ao ver realizado seu grande sonho de encenar a Paixão de Cristo dentro das muralhas de uma réplica de Jerusalém em pleno agreste pernambucano, em 1968, dificilmente poderia imaginar que o espetáculo chegaria a sua 43a temporada com sucesso de crítica e de público. De acordo com o produtor executivo e coordenador geral da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, Robinson Pacheco, os nove espetáculos que aconteceram entre 26 de março a 3 de abril deste ano receberam um público estimado em 80 mil pessoas, vindas de vários lugares do Brasil e de outros países.

A possibilidade de interagir durante o espetáculo bíblico e vivenciar as cenas da Paixão de Cristo no maior teatro ao ar livre do mundo tem atraído um número cada vez maior de pessoas a Nova Jerusalém. A cidade-teatro, de 100 mil m2, fica no distrito de Fazenda Nova, a 180 km de Recife, em Pernambuco. Assim como a antiga Judéia, o lugar possui terreno rochoso, vegetação rasteira e clima semiárido. A construção foi erguida na proporção de 1/3 da área murada da Jerusalém da época de Jesus, o que faz aumentar a beleza das cenas e a emoção do público. É cercada por uma muralha de pedras de quatro metros de altura e tem 70 torres com sete metros de altura. Dentro desse perímetro, nove palcos/plateias reproduzem cenários naturais, palácios, além do Templo de Jerusalém e do Fórum de Pilatos, constituindo obras monumentais, concebidas por vários arquitetos e cenógrafos nordestinos e por seu fundador, Plínio Pacheco.







O fascínio que o espetáculo exerce no público não está apenas na grandiosidade das construções, mas na própria participação ativa da plateia face à mobilidade das cenas. Entre um ato e outro, uma multidão caminha entre os cenários, com a finalidade de reviver a saga de Jesus, do Sermão à Ressurreição. São cerca de 550 atores e figurantes num espetáculo que dura duas horas.



Movimento maior na cidade


Durante o evento, a rede hoteleira local atinge sua capacidade máxima de ocupação e os restaurantes multiplicam as refeições servidas. Mas, de acordo com Pacheco, não há problemas de infraestrutura na cidade, já que a maioria das pessoas costuma voltar para seu local de origem após os espetáculos. Os habitantes da região também reagem bem a toda essa movimentação, pois, em sua maioria, atuam no espetáculo como figurantes ou trabalham direta ou indiretamente na produção. Muitos postos de trabalho são gerados durante os cinco meses necessários para a organização da Paixão de Cristo.

Do ponto de vista cultural e financeiro, segundo Pacheco, a construção de Nova Jerusalém só levou benefícios para a região: estradas asfaltadas, água, luz, telefone, segurança e saneamento básico. Ele conta que desde o início da construção foi possível contar com o apoio do governo de Pernambuco, que garantiu as obras de infraestrutura. Outro ponto importante foi o desenvolvimento do comércio local. Pacheco gosta de lembrar um trecho escrito pelo idealizador do evento: “Antes da Nova Jerusalém, esta região era um mundo calado, quase feito ninguém; mas quando o livro substituiu a foice e a enxada, deu lugar a projetos e o sonho brotou em pleno agreste uma flor de pedra”.

A Paixão de Cristo é um evento tão importante para a cidade que, em função dele, foi criada uma pousada. Originalmente ela só hospedaria os atores e atrizes do espetáculo, mas a forte demanda fez com que ela abrisse suas portas ao grande público. A pousada, também construída com a arquitetura da antiga Jerusalém, oferece um pacote de turismo interativo para que o hóspede participe como figurante da peça bíblica.

Patrimônio Cultural


O maior teatro ao ar livre do mundo e a Paixão de Cristo nele encenada já se tornaram Patrimônio Cultural Material e Imaterial de Pernambuco. Erguida com 80% de recursos próprios, a Sociedade Teatral de Fazenda Nova (STFN) é uma sociedade privada, sem fins lucrativos.  Mas, de acordo com Pacheco, sempre foi difícil conseguir verba para a manutenção de toda essa estrutura durante o restante do ano, pois isso implica em grandes investimentos. Ele afirma, no entanto, que todos os esforços estão sendo feitos no sentido de melhorar esse quadro.

A STFN, responsável pelo espetáculo bíblico, promoveu em 2010 uma re-instalação geral do sistema de som de última geração que já está em uso. Novos efeitos especiais, renovação geral nas 800 peças que compõem os figurinos e adereços do espetáculo e melhorias no sistema de iluminação cênica também foram iniciativas para garantir o sucesso da última temporada. A proposta da produção é que o público, que aumenta a cada ano, assista a cenas dignas de uma superprodução cinematográfica. Queimadores de incenso perfumaram o ambiente, aumentando o clima de religiosidade. O espetáculo de estreia de 2010, como de costume, foi dirigido às pessoas idosas ou com dificuldade de locomoção. Como houve a disponibilidade de cadeiras de rodas para portadores de deficiência foi oferecido ao público em geral um menor número de ingressos.

O elenco do espetáculo muda a cada ano. Grandes atores e atrizes que atuam no cenário teatral da região são convidados a participar. Artistas conhecidos do grande público dão um toque especial à encenação, vivendo os principais personagens. Na última temporada, Jesus foi interpretado pelo ator Eriberto Leão; Susana Vieira fez o papel de Maria; Paulo César Grande representou Pilatos; Mauro Mendonça foi Herodes.

Com o sucesso cada vez maior da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, várias têm sido as iniciativas para  reproduzir o espetáculo em vídeos e fotos. Como os próprios espectadores reconhecem, no entanto, só mesmo assistindo in loco para ter a sensação da grandeza e impacto emocional da dramatização.

História


O espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém começou a ser encenado no ano de 1951, nas ruas da vila de Fazenda Nova, por iniciativa de Epaminondas Mendonça. Ele inspirou-se em um evento de Páscoa semelhante, realizado por habitantes de uma cidade alemã para criar algo que atraísse turistas e movimentasse o comércio local. Os primeiros espetáculos da pequena vila contavam com a participação apenas de familiares e amigos. Com o passar dos anos, as encenações começaram a atrair atores e técnicos de teatro do Recife, ganhando notoriedade em todo o estado. O local das primeiras encenações - a vila do município do Brejo da Madre de Deus - fica próximo de onde hoje se situa a cidade-teatro.

A ideia de construir um teatro que fosse como uma pequena réplica da cidade de Jerusalém foi de Plínio Pacheco, que chegou a Fazenda Nova em 1956. Mas o plano só veio a se concretizar em 1968, com o primeiro espetáculo na Nova Jerusalém.



Números

• Mais de 2,5 milhões de pessoas assistiram à Paixão de Cristo de Nova Jerusalém

• Cada espetáculo utiliza 550 atores e figurantes

• 400 profissionais formam as equipes de som, luz, maquiagem, contrarregra, guarda-roupa, hospedagem, alimentação, atendimento médico, segurança, administração, produção e coordenação

• 24 mil refeições são servidas a atores, figurantes e equipes técnicas e administrativas durante as temporadas de ensaios e de espetáculos

• São nove dias de espetáculo

• 860 refletores iluminam os cenários e plateias, num total de 1,29 milhão de watts de potência

• Som de última geração serve a cada um dos nove palcos-plateias,  com potência total de 154 mil watts de som

• 800 peças de figurino compõem o  guarda-roupa principal e o acervo de reserva

• 13 catracas eletrônicas controlam o acesso do público



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