Revista é pra rever
Escrita em 16/001/10 por admin
EditoriaisMuitas pessoas ficam espantadas com o nome desta revista.

“Como assim? Cultura não se faz. E nem se vende!”, perguntam os críticos, já respondendo.

Francamente, já sabíamos que muita gente boa – pessoas superpreparadas e sérias -  estranharia. Escolhemos este nome porque acreditamos que é justamente nesta discussão que está o xis do problema.  Mais que um nome, esta é uma direção, quase uma missão: compreender o que é este universo do “cultural” em uma sociedade de mercado e, principalmente, como viver e sobreviver dele.

A questão é mesmo tão importante quanto controversa. E, como é natural, permite defesa de pontos de vista acalorados, ainda que grande parte da população dela não se aperceba, compreenda ou veja como relevante.

Qualquer um percebe e identifica a cultura de um povo das montanhas do Nepal, com sua língua, seus comportamentos peculiares, seus costumes exóticos e tradições tão peculiares.  Isso vale para os esquimós, para tribos indígenas e para qualquer grupo social que vive isolado, distante de tudo, como vez por outra mostra a TV.

Difícil é entender o papel da cultura na nossa sociedade global, do século XXI, na qual a população das megacidades vive em tribos – reais, às vezes virtuais – consumindo produtos culturais o tempo todo. Complexo é entender como os hábitos e valores são influenciados pelo avanço tecnológico acelerado e pela obsolescência, hoje, da fantástica descoberta anunciada ontem.  Ou perceber que a arte, além de mercadoria, é a formadora dos desejos de consumo, mais que a utilidade dos produtos em si, ao mesmo tempo em que ela é o veículo da “indústria da comunicação”, uma indústria que é meio ao mesmo tempo em que é mensagem.

Como fazer para ser um profissional de produção cultural no meio de tanta incógnita?

O tema de que tratamos não é óbvio. Prova disso é nossa matéria de capa que analisa o “Instituto da Meia-Entrada”, uma surrealista invenção brasileira - criada por leis que parecem louváveis - mas que transfere obrigações do poder público para o empreendedor cultural privado e produz estranhas distorções no funcionamento do mercado, injustiças, incertezas e custos ocultos que contrariam suas boas intenções.

É para este tipo de questão que esta publicação busca resposta.

Por isso a chamamos Fazer e Vender Cultura.

Outras notícias e comentários adicionais estão disponíveis em: Fazer e Vender Cultura
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