Quanto vale meu projeto
Escrita em 19/005/10 por AUREA
Artigos e ColunasOk, ok. O produtor conhece o seu projeto, mais que ninguém. Entende completamente a importância da obra em questão, a relevância dos nomes envolvidos, a seriedade da proposta. Ou percebe seu potencial de comercialização, ou de divulgação, ou de atrair público. Ou prevê que pode se sair bem em festivais, ou premiações, ou concursos. Ou sabe exatamente quais são suas fontes de recurso: aquele edital, ou programa de patrocínio, ou sua total identidade com essa ou aquela empresa. Enfim, o produtor sabe tudo, ou quase tudo o que precisa para realizar seu projeto. Por que será, então, que, para cada projeto bem realizado e bem sucedido, tantos outros morrem na praia?

Uma das razões que me ocorre é que, sim, o produtor sabe mesmo tudo, ou quase tudo sobre seu projeto. Mas sua identificação com ele pode ser tão grande e pode estar envolvido com ele de tantas formas, que acaba sendo "puxado para dentro" e se desligando de aspectos importantes "lá de fora", determinantes para o sucesso ou o fracasso da iniciativa.

Cabe ao produtor "sair da casca" em algum momento e olhar o projeto que tem em mãos, sob a ótica do mercado ao qual ele se destina. Cabe a ele fazer o meio de campo entre o artístico e o mercadológico, seja de forma mais racional e planejada, seja mais intuitiva e espontânea. Certamente, o lugar do produtor, a despeito de toda emoção e empolgação que o projeto possa lhe proporcionar, situa-se longe da zona de conforto, num espaço de análise e de decisão, onde todas as fragilidades e qualidades relativas à viabilização, execução e realização do projeto deverão ser levadas em conta.

Uma questão básica que o produtor deve ter em mente é o VALOR do projeto. E que VALOR é algo definido pelo mercado. Por isso, é tão importante mudar de perspectiva e tentar avaliar o próprio projeto a partir da escala de valores do mercado. Com a visão mais global, fica favorecida uma avaliação mais realista do projeto e das suas chances, minimizando a criação de expectativas super, ou subestimadas.

É importante que o produtor identifique o PRINCIPAL ATRIBUTO DE VALOR do projeto. Ele é experimental? Vanguardista? Inovador? Original? Tradicional? Subversivo? Divertido? Encantador? Misterioso? Informativo? Emocionante? Enfim, qualquer outro?

O passo seguinte é avaliar se esse ATRIBUTO DE VALOR encontra eco no mercado? A resposta a essa pergunta é que vai apontar a quem o projeto se destina, quais os melhores locais de realização, como comunicá-lo, quais suas potenciais fontes de recurso e potenciais parcerias, dentre outros pontos.

Um projeto cujo valor seja bem entendido e que corresponda às aspirações do público, sendo corretamente percebido por ele, tem mais chances de ser bem sucedido.

Nunca me esqueço de um cartaz de filme que transmitia uma impressão sombria e expressava algo quase sobrenatural. Parecia um filme de terror ou de suspense. Quando fui assistir, me surpreendi assistindo a um filme lírico e delicioso. Nunca me saiu da cabeça que o cartaz simplesmente não comunicava o filme corretamente e que, além desse equívoco, deveria haver outros, que somados tiveram seu quinhão para a baixa frequência de público.  

Evidentemente há inúmeros modos de se conferir, ou se expressar valor, de projetos. Se o produtor tem clareza sobre esse processo, naturalmente terá meio caminho andado para o sucesso!






Áurea Bicalho Guimarães
é carioca e produtora cultural desde os anos 90. Graduada em Letras e pós-graduada em Marketing, foi Vice-Presidente do Instituto Cultural Cidade Viva e atuou com projetos da entidade em diversos estados. Participou de diferentes projetos, como o Programa Empreendedor Cultural do Sebrae-SP, Eu Vivo Cinema Pan Americano e Circuito Copa Gourmet, e de atividades no Quadrilátero do Charme de Ipanema, além de produzir shows no eixo Rio-São Paulo. Atualmente é sócia da A.Guimarães Produções e realiza projetos culturais como Futuro no Meu Jardim. É Diretora do Clube da Cultura e está engajada na produção desta revista.

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