Leo Feijó
Escrita em 17/005/10 por admin
EntrevistaMilton: Léo, quando você passou, eu falei “acho que é ele”. Aí, ela (Gaia) falou que você era muito novo e acrescentou “é, muito novo para ter feito tanta coisa assim”. Você se sente assim?

Léo: Não, não me sinto. Mas foi até engraçado. Ontem, eu estava lá no SindRio (Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes) e encontrei a Mariângela (Rossetto), do Sebrae. Ela já não me encontrava há dois anos e falou: “Antes você tinha cara de menino. Agora não, você está ficando com cara de homem mais maduro”.

Miguel: Graças a Deus, o tempo passa para todo mundo, né? 

Léo: É, a maturidade é uma coisa boa, sem dúvida. Mas não me sinto, não. Acho que tenho muita coisa para realizar ainda, mas acho que já se passaram dez anos. É um tempo.

Miguel: Você começou essa trip com 26. Antes disso você fazia o quê?

Léo: Comecei antes, na verdade. Sempre quis ser artista plástico. Estudei no Parque Lage, queria fazer Artes Visuais. Mas, na hora de fazer faculdade, me inscrevi em Comunicação. Não sabia muito bem que faculdade eu queria fazer. Aí, comecei a fazer Jornalismo.

Miguel: Aonde?

Léo: Na Faculdade da Cidade. Já tinha feito direito na PUC e tinha detestado. Tranquei e fui fazer jornalismo. A minha família tinha um bar aqui em Botafogo, um restaurante na verdade, que era do meu tio. Um restaurante chinês. Esse restaurante estava falindo e eu tinha, na época, 22 anos. Aí, esse meu tio virou para mim e falou: “Está falindo
lá. Você não quer assumir? Você é um cara novo, deve estar cheio de ideias”. Então, eu chamei um amigo meu e a gente assumiu. Foi o primeiro bar que eu abri, aos 22 anos. Chamava-se Bukowski. Foi um grande sucesso.

Milton: Sem experiência prévia nenhuma.

Léo: Sem experiência prévia nenhuma.

Miguel: Antes você não tinha essa coisa de organizar festas, fazer coisas, essa coisa de organizar grêmio de escola?

Léo: Não. Nunca fui ligado a essa galera dos grêmios.

Milton: Por que o seu tio te chamou?

Léo: Para ele era mais fácil alguém da família assumir o negócio. Nada demais. Aí, depois dessa aventura inicial - e aí já trabalhando na área de jornalismo – eu comecei a perceber esse mercado.

Miguel: Você se formou?

Léo: Me formei e trabalhei por cinco anos. Fui repórter de economia no Jornal do Brasil, na Gazeta Mercantil e, depois, nO Globo, meu último emprego jornalístico. Aí levei um tempão pensando se devia me decidir por uma carreira ou por outra e comecei a fazer produção cultural em paralelo à profissão mais formal. Tinha aquele medo de não ter uma renda estável; e quem trabalha com produção cultural sabe que não é nada estável você se arriscar nisso de fazer eventos. Tentei levar isso até onde pude e, durante cinco anos, consegui. Depois, fiz uma opção pelo empreendedorismo na cultura. Acho que o que a gente faz é essencialmente cultura. Muito ligado à música, claro, mas também às artes plásticas, ao teatro, a tudo.

Miguel: Você vem de uma família…

Léo: Aqui do Rio. De classe média. Meu pai é engenheiro, minha mãe é psicóloga. Meu pai teve vários negócios. É muito empreendedor, tem um pouco dessa veia. Já teve de tudo: farmácia, lotérica, construtora e restaurante com esse meu tio. Mas nunca me imaginei dono de restaurante. Eu queria ser dono de galeria de arte. Era o meu sonho.

Miguel: Então, quando você assumiu o restaurante, você mexeu nele…

Léo: Totalmente. Era um restaurante chinês, tinha aquela decoração oriental…

Miguel: E você tinha capital? Como é que você fez isso?

Léo: A gente tinha um capital mínimo. Esse negócio custou muito pouco dinheiro. A gente, primeiro, pegou o passivo e parcelou. E também fez modificações básicas: mudou o piso, mobiliário básico, pintou, ligou o som e funcionou. Foi isso, entendeu? Deve ter custado R$ 5 mil na época.

Áurea: Você fez uma casa que freqüentaria mesmo que não fosse dono.

Léo: Exatamente. E foi o que me norteou também no segundo projeto, que foi a Casa da Matriz. Eu já freqüentava essa noite do Rio de Janeiro mais alternativa, que era a Doctor Smith, em Botafogo, a Basement, em Copacabana. E tinha os lugares de playboy da época e de socialites, casas com as quais eu não me identificava. Então, queria fazer lugares
para essa galera mais alternativa. Era um lugar onde eu gostaria de ir com o preço da cerveja que eu queria pagar. É isso.

Miguel: E a comida?

Léo: Não tinha. Não tinha comida na Casa da Matriz.

Áurea (para Miguel): Com 22 anos, numa casa chamada Bukowski, ele
queria beber e ouvir música.

Léo: Tinha um sanduichinho básico e olhe lá. Até hoje, o que importa na verdade nesse negócio é a experiência que a pessoa tem quando frequenta esses lugares, essas festas, esses shows. A emoção que elas sentem estando ali. E, claro, as pessoas querem encontros, se apaixonam, têm vários casos. Toda semana, eu encontro alguém que fala:
“Pô, te devo uma parte da minha vida porque conheci minha mulher na tua casa e agora ela está grávida, nós casamos, etc.”. É bem legal isso.

Miguel: Sim, mas aí você pegou a casa, você parou de fazer restaurante e fez o que? Uma casa de festas?

Léo: Fiz um híbrido. O primeiro piso era um bar e o segundo era uma pistinha de dança. Tinha eventos de projeção de fotografia, lançamento de livro, claro. E eu tinha a facilidade da assessoria de imprensa, que eu mesmo fazia. Eu fotografava as atrações, escrevia os releases, ia nas redações todas e divulgava. Como as fotos eram razoáveis e havia uma carência muito grande de espaço na época, a galera dava. Aí, começou a movimentar e foi um sucesso. Realmente, foi um sucesso. Só que, aí, eu enfrentei o primeiro problema do empreendedor, que foi brigar com os sócios.

Outras notícias e comentários adicionais estão disponíveis em: Fazer e Vender Cultura
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores.