Outras palavras: economia criativa
Escrita em 16/005/10 por admin
Economia da CulturaEnquanto a economia da cultura delimita sua pesquisa nas áreas de economia do texto, da imagem e do som, um outro termo vem crescendo nos estudos ligados à produção intelectual: a economia criativa. De acordo com Lala Deheinzelin, assessora do Programa de Economia Criativa da South-South Cooperation Unit da ONU, esta denominação tem uma abrangência maior.

“É um conceito amplo o suficiente para incluir nossa diversidade, tanto de linguagem quanto de modelos de negócios, englobando uma vasta gama que vai do indivíduo que trabalha educação complementar através de música a uma grife de automóveis de luxo”, diz Lala. A partir dessa definição, produtos como os da indústria de softwares e da moda são incluídos no vasto campo da economia criativa.

Para o Núcleo de Estudos da Economia da Cultura (Gênesis, PUC-RJ), coordenado por Luiz Carlos Prestes Filho, a palavra “criativa” tem um significado amplo demais. “Não podemos propor ação empresarial, em qualquer atividade econômica, até mesmo na área de petróleo e gás, sem criatividade. Melhor seria apontar as atividades da economia da cultura direta e da economia da cultura indireta”, diz Prestes.

Em 2008, a ONU chegou a lançar o Creative Economy Report, mostrando o seu ponto de vista sobre o tema e alguns dados que chamam a atenção da economia mundial: as indústrias criativas representam 3,4% do comércio internacional, com exportações de 424,4 mil dólares em 2005 e um crescimento anual em torno de 8,7%. Dados como esses fazem com que a entidade afirme, com ênfase, que “a criatividade e o conhecimento estão se tornando rapidamente os meios mais poderosos para o desenvolvimento”.

Também em 2008, o Instituto Itaú Cultural publicou o livro digital Economia criativa como estratégia de desenvolvimento: uma visão dos países em desenvolvimento, que traz uma visão global do estado da arte nessa matéria e análise da situação em países de três continentes, incluindo o Brasil.

No texto sobre o Brasil, de Ana Carla Fonseca Reis, o destaque para o Rio de Janeiro é o caso da cidade de Conservatória, utilizado para exemplificar como o valor intangível de uma cultura local pode impulsionar arranjos produtivos, alavancando uma rede de serviços que “ultrapassa as cadeias setoriais”.

Sim, parece língua estrangeira, mas promete dar samba. Ou seresta.
Por isso, voltaremos ao tema nas próximas edições.


Cá entre nós

O conceito apareceu na Austrália, em 1994 referindo-se às indústrias que têm sua origem na criatividade, habilidade e talento individuais e que apresentam um potencial para a criação de riqueza e empregos por meio da geração e exploração de propriedade intelectual.

Em 1997, o primeiro-ministro britânico Tony Blair  identificou treze setores que seriam capazes de reerguer a economia dês eu país, chamando-os de "indústrias criativas". Todos esses setores teriam em comum a possibilidade de gerar direitos de propriedade intelectual.  Estão incluídas: as indústrias culturais e o artesanato, como também moda, design, arquitetura, propaganda e até o software. Na época, o mundo passava por uma dessas cíclicas crises do capitalismo e a Inglaterra conseguiu passar incólume graças a um programa de apoio às indústrias criativas, que ganharam um Ministério só para elas.  Foi o que bastou…

A primeira definição precisa do termo "Economia Criativa", vem em 2001, e foi feita pelo também inglês John Howkins no livro "The Creative Economy". Segundo ele, atividades que compõem a "economia criativa" resultam de indivíduos que exercitam a sua imaginação e exploram o seu valor econômico.

Traduzindo num conceito formal Economia Criativa é: “uma abordagem holística e multidisciplinar, lidando com a interface entre economia, cultura e tecnologia, centrada na predominância de produtos e serviços com conteúdo criativo, valor cultural e com objetivos de mercado”.

Dados da Organização das Nações Unidas indicam que a economia criativa é responsável por cerca de 8% do PIB mundial, além de representar grande possibilidade de desenvolvimento sustentável.

Mas constatou-se também que o valor econômico da criatividade é atingido apenas quando as pessoas que criam encontram acesso ao capital, à infra-estrutura, regulação e a mercados. Só assim a criatividade se concretiza com valor monetário. Mas aí é outra história.


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