Agora vai!
Escrita em 12/005/10 por admin
EditoriaisÉ. Agora vai!

Quando o Clube da Cultura surgiu, há 15 anos, nos movia a angústia de que o setor cultural, tão importante, não podia ser tão desarticulado a ponto de, na prática, ser um mero acessório ao sabor das ondas.

Desde aquela reunião gestores de instituições culturais, promovida pela  saudosa jornalista Lucia Rito, que dirigia o Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho - o Castelinho do Flamengo - a realidade do setor mudou muito e, paradoxalmente, pouco mudou.

Não tínhamos internet e celulares tão acessíveis, a indústria cultural e do entretenimento ainda não era a maior do mundo, a tecnologia disponível e a disputa pelos fregueses eram um pouco menos espetaculares do que são hoje e a preocupação com o planeta começava a entrar na pauta de interesses da população. Ah, também não éramos tão globais como agora.

Mas os problemas que nós, profissionais da cultura, diagnosticávamos em nossos encontros continuam ai, todos agravados na mesma proporção da expansão econômica do setor.

As dificuldades de articulação são as mesmas. E não podia ser diferente: nós ainda temos uma compreensão incipiente do que somos, diferentemente do pessoal da Saúde. Lá, médicos, donos de hospital, laboratórios, enfermeiras, ambulâncias, farmácias, plano de saúde, indústrias de remédios,  o  funcionário público, a faxineira, o fisioterapeuta enfim, todos sabem que trabalham com saúde. Na cultura não é assim. Acabamos formando grupos frágeis e pequenos, - clusters, como gostam os especialistas, com baixa representatividade e capacidade de interação.

A situação é especialmente crítica nos níveis de gestão. A formação acadêmica é coisa nova, o autodidatismo é a regra. Tem gente acha que já “nasceu sabendo” e sai fazendo. Outros são empurrados pelas circunstâncias como os artistas que produzem seu próprio trabalho ou dos intelectuais que vão gerir instituições culturais para não se afastar do seu assunto predileto, sem perceber que se antes ele criava, agora terá que produzir, o que exige outro tipo de habilidades. Acaba aprendendo, mas com grande sacrifício. O pior é que, com a informação fluindo pouco e sem ter onde cristalizar este conhecimento todo mundo tem que reinventar a roda, sempre.

Com o lançamento da revista Fazer e Vender Cultura, que tem patrocínio da Oi e da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, por meio da lei de incentivo fiscal à cultura, estamos dando um salto de qualidade para a solução deste problema.

Nosso público é específico e geral. É específico porque vamos falar para produtores culturais: gestores, administradores, empreendedores e técnicos em produção. E é geral, porque eles podem estar em qualquer área desta Babel que chamamos “cultura”.

Até mesmo porque estas pessoas, profissionais ou amadores, já não se contêm em um segmento específico, transitando com seus projetos múltiplos e simultâneos atrás de oportunidades e viabilidades.

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