Um sucesso chamado Flip
Escrita em 17/001/10 por admin
Casos de SucessoConta pontos a favor ainda a relação do evento com a população local. “Ao longo dos anos, moradores e estudantes foram se apropriando da festa. Em 2008, a Flip contou com a participação de 53 parceiros locais, entre órgãos do governo, escolas e organizações da sociedade civil”, continua Munhoz. Além de movimentar hotéis, pousadas, bares e restaurantes, o evento utiliza mão-de-obra local, o que gera aumento de renda para famílias paratienses. Nas últimas edições, causa polêmica uma possível influência das grandes editoras de livros na programação da feira, mas o diretor destaca o que chama de ‘caráter não comercial do evento’ como outro dos responsáveis por sua boa repercussão. “A Flip tem como foco a relação entre autores e leitores. Não tem influência de relações comerciais do mercado editorial”, frisa.

Ao longo dos anos, o evento foi conquistando importantes aquisições, como a Tenda dos Autores, realizada num auditório com 850 lugares, com mesas que reúnem para uma conversa informal convidados de segmentos variados, de escritores a cineastas, quadrinistas, historiadores, jornalistas e artistas plásticos. As conversas têm tradução simultânea e transmissão na Tenda do Telão, que comporta 1,4 mil pessoas, e ao vivo, pela internet. Uma programação paralela ocupa a Casa de Cultura de Paraty e outros locais da cidade, com pré-estreias e exibição de filmes, leituras de peças de teatro, exposições e debates. Estabelecida no cotidiano da cidade, a Flipinha envolve alunos e professores da rede pública de ensino em atividades de incentivo à leitura. Já a FlipZona se firma como um programa educativo de inclusão social voltado para os jovens paratienses. Em 2009, com a criação da Mesa Zé Kleber, surgiu um espaço para a discussão de políticas públicas ligadas ao universo cultural e urbano.

“O evento é hoje um importante pólo difusor da literatura brasileira. A cada edição, abre espaço para vinte autores nacionais, novos e consagrados, e promove conferências com intelectuais cujo trabalho está diretamente ligado à formação da identidade nacional”, observa o diretor-presidente da Casa Azul, que resgata gratas lembranças de edições passadas da feira literária: “O bate-bola entre José Wisnik e Roberto DaMatta em torno do tema futebol, em 2008, funcionou bastante, assim como a mesa que reuniu o jornalista Arnaldo Jabor, o sociólogo Luiz Eduardo Soares e o rapper MV Bill para falar sobre violência e realidade social, em 2005. Ambas provocaram discussões candentes sobre brasilidade”.

Anualmente, a Flip presta homenagens a grandes escritores da literatura brasileira. “É um espaço que costuma produzir momentos memoráveis, como a conferência de abertura de 2008, sobre ‘Dom Casmurro’, proferida por Roberto Schwarz, campeã de acessos na página da Flip no youtube.” De 2003 a 2009, o número de autores participantes pulou de 24 para 47; o de estrangeiros, de 5 para 15 (já esteve em 19).  Flipinha e FlipZona possibilitaram um aumento de 30% do público do evento em 2009, com inédita formação de filas para autógrafos na primeira. Não por acaso: um manual com fotos e biografias dos autores convidados foi confeccionado e distribuído a professores que, por sua vez, passaram os conhecimentos adquiridos a seus alunos.

Em 2009, a Flip custou cerca de R$ 3,7 milhões destinados à festa literária, com outro R$ 1,3 milhão para programas sociais, urbanísticos e educacionais. “Para realizar a Flip, a Casa Azul faz captação de patrocínio junto ao primeiro e segundo setor. Realizamos também um programa de mecenato e temos uma pequena receita que vem da venda de ingressos e produtos”, finaliza Munhoz.

Uma festa imodesta!


Quatro fatores de êxito


       Formato inovador
       Parceria com atores locais
       Perfil não-comercial
         Qualidade da programação




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