Um sucesso chamado Flip
Escrita em 17/001/10 por admin
Casos de SucessoQuando a primeira edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) aconteceu, em 2003, seus organizadores esperavam receber 50 pessoas. Em sua oitava edição, que acontece entre 4 e 8 de agosto de 2010, a expectativa é um pouco maior: 20 mil visitantes.

Quase R$ 5 milhões serão movimentados no município fluminense que, impulsionado pelo êxito do evento, foi eleito cidade referência em turismo cultural pelo Ministério do Turismo e pode ser elevado a patrimônio da humanidade na categoria paisagem cultural pela Unesco. Durante a Flip, a ocupação de hotéis e pousadas chega a 100% – em 2009 surgiram 20 novas pousadas.

A pergunta, então, é: como uma festa que tem como grande estrela a literatura pode se tornar referência quando o assunto é a realização de eventos dedicados à cultura, num país como o Brasil, que pouco lê?

Diretor-presidente da Associação Casa Azul, que organiza o evento literário, Mauro Munhoz lembra que a Flip não tem como única finalidade promover a literatura. A feira procura se consolidar como catalisadora de transformações que contribuam para o desenvolvimento sustentável de Paraty a partir de uma série de ações criadas para enfrentar problemas de infraestrutura urbana e gestão do patrimônio material e imaterial da cidade. Para Munhoz, há quatro grandes frentes que permitiram que a Flip se consolidasse, ao longo dos anos, como exemplo a ser seguido por produtores de festivais e feiras culturais mundo afora. “Em primeiro lugar, atribuo o êxito da Flip à qualidade da programação, com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi. A primeira Festa Literária Internacional de Paraty inseriu o Brasil no circuito dos festivais internacionais de literatura”, lembra, destacando que ao longo das edições seguintes o evento se tornou conhecido também pelo entusiasmo do público e pela hospitalidade da cidade. Em cinco dias de festa, são realizados cerca de 200 eventos, entre debates, shows, exposições, oficinas, exibições de filmes e apresentações de escolas, desdobrados em Programação Principal, Casa de Cultura, FlipZona e Flipinha.

Características singulares são destacadas por Munhoz como outro elemento motivador do bom desempenho do evento. “Temos um formato pioneiro no Brasil de celebração da produção intelectual, com clima intimista, informal”. Diferentemente das grandes feiras de livros e bienais, a Flip foca no encontro privilegiado entre autores e leitores. É o que atesta um dos mais assíduos convidados do evento, o jornalista e escritor Zuenir Ventura: “Depois de participar de umas três ou quatro edições da Flip, acho que o segredo de seu êxito está não apenas no que ela oferece de atração – as palestras de autores importantes daqui e de fora –, mas na transformação da cidade em espaço de encontros.

Durante a realização do festival, o que mais se faz é encontrar as pessoas – nas ruas, nos bancos das praças, nos bares e restaurantes – para fazer aquilo que cada vez se faz menos onde se vive: bater papo, jogar conversa fora, sem compromisso, sem pressa, sem estresse, como se o tempo não existisse”.

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